
Em mais um capítulo da escalada de tensão comercial entre Estados Unidos e Brasil, o governo americano abriu uma investigação contra o país e colocou o Pix – sistema brasileiro de pagamentos instantâneos – no centro da disputa. A iniciativa partiu do Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), que acusa o Brasil de adotar práticas consideradas desleais, com destaque para o avanço do Pix como suposto “obstáculo à competitividade” de empresas estrangeiras.
A medida gerou reação imediata de especialistas e autoridades brasileiras, que classificam a investigação como uma tentativa clara de atacar um sistema nacional que se tornou modelo mundial. Desenvolvido pelo Banco Central, o Pix é gratuito para pessoas físicas e já movimenta trilhões de reais por ano, com ampla aceitação e inclusão financeira da população.
A ofensiva norte-americana ocorre poucos dias após a imposição de uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, promovida pelo governo de Donald Trump. Agora, além de penalizar exportações nacionais, os EUA miram diretamente a soberania financeira e tecnológica do país.
Segundo o comunicado oficial americano, o Pix estaria promovendo uma “desvantagem injusta” ao permitir que o Estado brasileiro ofereça um serviço altamente competitivo sem fins lucrativos, o que, na visão do governo dos EUA, prejudicaria fintechs e bancos internacionais que atuam com tarifas elevadas. No entanto, o relatório não apresenta dados concretos sobre os supostos prejuízos.
A utilização do mecanismo legal chamado “Seção 301” – o mesmo usado na guerra comercial contra a China – permite que os EUA imponham sanções mesmo sem aval da Organização Mundial do Comércio (OMC), o que amplia os temores de uma retaliação arbitrária.
Autoridades brasileiras avaliam recorrer à OMC e articulam uma resposta diplomática, destacando que o Pix não visa competição com instituições estrangeiras, mas sim promover a inclusão bancária e a modernização dos meios de pagamento no Brasil.
“É inaceitável que um país tente intervir em uma política pública soberana só porque não conseguiu criar um sistema tão eficaz quanto o nosso”, comentou um integrante do governo brasileiro sob condição de anonimato.
Para analistas, a postura dos EUA sinaliza um incômodo crescente com a independência tecnológica de países emergentes. O Pix, que já inspira modelos similares em outros continentes, pode estar se tornando um símbolo incômodo de inovação fora do eixo tradicional do poder financeiro global.
Enquanto isso, o cidadão brasileiro segue utilizando o sistema com confiança, rapidez e sem tarifas. Resta saber até onde irá a ofensiva americana — e como o Brasil responderá à tentativa de limitar uma de suas maiores inovações públicas dos últimos tempos.
Com informações do Diário do Centro Mundo






