29 de junho de 2026

Haddad: Brasil tenta contato, mas Casa Branca concentra dados sobre tarifaço

Haddad: Brasil tenta contato, mas Casa Branca concentra dados sobre tarifaço
Haddad: Brasil tenta contato, mas Casa Branca concentra dados sobre tarifaço

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta quarta-feira (23/7), em Brasília, que o governo brasileiro tenta estabelecer contato com o governo dos Estados Unidos para negociar a tarifa de 50% imposta por Donald Trump, mas, segundo ele, o assunto está centralizado na Casa Branca.

De acordo com Haddad, a equipe econômica da Fazenda tem falado com a equipe do Tesouro norte-americano, enquanto o Ministério do Desenvolvimento, Industria e Comércio (MIDC), comandado por Geraldo Alckmin, está em contato com secretários do governo Trump.

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“Estamos fazendo tentativas de contato reiteradas, mas há uma concentração de informações na Casa Branca. Alckmin está tendo contato com secretários. No nosso caso da Fazenda, temos contato com a equipe técnica do Tesouro americano, mas não com o secretário”, disse Haddad.

O ministro afirmou, ainda, que vai chegar a vez do Brasil na mesa de negociação com os Estados Unidos. As tarifas impostas por Trump começam a valer, conforme o anúncio do republicano, no dia 1º de agosto.

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Plano de contingência já foi concluído

Haddad informou que a área técnica do governo concluiu o debate sobre as possíveis medidas de contenção que devem ser adotadas, em caso de confirmação da tarifa norte-americana. Os detalhes, segundo ele, devem ser apresentados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na próxima semana.

O ministro avalia que a decisão não é do Ministério da Fazenda e que Lula ainda deve ouvir os ministros palacianos e o Ministério das Relações Exteriores (MRE), antes de bater o martelo. Conforme Haddad, o governo estuda uma série de medidas e parâmetros de contenção para que exista um debate técnico entre os países. No entanto, ele não antecipou nenhum dos itens que vem sendo discutidos.

Favorável à negociação, Haddad voltou a dizer que o Brasil nunca deixou a mesa de negociação com os EUA.

“Olha, nós tivemos boas surpresas em relação a outros países nos últimos dias. Então, nós podemos chegar a data de 1º de agosto com algum aceno e alguma possibilidade de acordo, mas para haver acordo precisa haver duas partes sentadas à mesa para chegar a uma conclusão. Então, não dá para antecipar um movimento que não depende só de nós.”, disse.

Trump anunciou a taxação de produtos brasileiros por meio de uma carta publicada nas redes sociais, e endereçada ao presidente Lula, no dia 9 de julho. Apesar do anúncio do republicano, o governo brasileiro afirma que a ordem executiva para que a cobrança seja efetivamente realizada ainda não foi enviada.

Haddad: Ação de governadores é bem-vinda, mas insuficiente

Haddad avaliou, ainda, que as medidas de contenção tomadas por governadores são bem-vindas, mas insuficientes. Segundo ele, os movimentos, por não serem em escala federal, são restritos. “Por exemplo, por uma linha de R$200 milhões, você está falando de U$S 40 milhões [apenas]. Mas nós estamos falando [de um problema] de U$S 40 bilhões”, expôs.

O ministro celebrou a mobilização dos governadores e afirmou que eles perceberam que esse é um problema de Estado, do Brasil todo, e não de governo. “Então é bom notar que eles estão mudando de posição, deixando de celebrar uma agressão estrangeira ao Brasil, isso é importante, caírem na real e abandonarem o movimento inicial que fizeram de apoio ao tarifário contra o Brasil”, complementou.

Os governadores de São Paulo e Goiás, Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Ronaldo Caiado (União Brasil), anunciaram linhas de crédito para socorrer empresas exportadoras que poderão ser impactadas pelas tarifas. O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), e do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), também anunciaram que estão estudando medidas.