9 de julho de 2026

Tatuagem com anestesia: especialista avalia riscos após proibição do CFM

Tatuagem com anestesia: especialista avalia riscos após proibição do CFM
Tatuagem com anestesia: especialista avalia riscos após proibição do CFM

Nesta segunda-feira (28/7), entrou em vigor a proibição do Conselho Federal de Medicina (CFM) para o uso de qualquer anestésico — incluindo sedação, anestesia geral ou bloqueios periféricos — na execução de tatuagens estéticas. Em entrevista ao portal LeoDias, um especialista no tema orientou sobre os riscos do uso de anestesia em contextos não médicos.

Segundo o texto publicado no Diário Oficial, o uso de anestesia está autorizado apenas em casos de tatuagens com indicação médica em contextos reparadores, como procedimentos de reconstrução após cirurgias ou traumas, desde que reconhecidos pela literatura médica.

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Veja as fotosAbrir em tela cheia Tatuagem com anestesiaReprodução/Internet Centro cirurgicoFoto: Reprodução MC Daniel toma anestesia geral para fazer tatuagem nas costas por 7 horas Tatuagem com anestesiaReprodução/Internet

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Para o médico anestesiologista Paulo Guimarães, a resolução representa uma medida de precaução diante de um cenário ainda incerto: “A pessoa se expõe a um risco teoricamente desnecessário, especialmente em algo que ainda não está bem definido pela medicina, como o uso dessas tintas e pigmentos. Em muitos casos, estamos falando de tatuagens extensas, que cobrem tórax e braços, e que exigem grandes volumes de pigmento. Não sabemos exatamente quais substâncias estão presentes nessas tintas — muitas contêm chumbo, cádmio e outros metais pesados — e como o organismo vai reagir a longo prazo”, declarou o especialista.

O profissional também destacou que o uso de anestesia deve estar restrito ao ambiente médico e a procedimentos com indicação clínica clara:  “Não se trata de comparar a importância de uma tatuagem com a de uma cirurgia estética. A questão é que, do ponto de vista da segurança, ainda temos muitas incertezas. Por isso, considero a decisão do CFM acertada: é uma medida de cautela para evitar práticas que ainda carecem de respaldo científico”, completou Guimarães.

Com a nova norma, o CFM proíbe que médicos participem dessas práticas estéticas com uso de anestesia. Caso contrariem a norma, eles podem ser responsabilizados eticamente.

O objetivo é limitar o uso de anestésicos a casos estritamente médicos, reforçando que procedimentos como tatuagens não justificam, por si só, o uso de recursos que apresentam riscos à saúde quando mal administrados.

Alguns famosos aderiram a técnica antes mesmo da proibição. No ano passado, Rafaella Santos, irmã do jogador Neymar Jr., usou medicação para cobrir um desenho nas costas. O resultado foi publicado nas redes sociais da tatuadora.

Já MC Cabelinho, contou que se submeteu à anestesia geral para tatuar as costas inteiras: “Contratei uma equipe médica, fechei uma sala de cirurgia, os médicos disseram que era possível e eu tomei anestesia geral, dormi por 8 horas, fiquei entubado, porque era nas costas. Tatuei as costas toda”, afirmou ele em entrevista ao programa “Na Piscina com Fê Paes Leme”.

O rapper Oruam revelou, no fim de 2024, que tatuou metade do corpo de uma só vez com o auxílio de anestesia geral. O tamanho da tatuagem e o relato chamaram atenção dos fãs nas redes sociais.