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Terras raras podem ser trunfo do Brasil no tarifaço dos EUA. Entenda

Por Metrópoles 27/07/2025 02:27
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O governo federal analisa quais podem ser as “cartas” a serem usadas na mesa de negociação com os norte-americanos para reverter a tarifa dos EUA sobre os produtos brasileiros. As taxação de 50% entra em vigor em 1° de agosto. Uma das principais estratégias envolve os minerais críticos e estratégicos (MCEs), especialmente as chamadas “terras raras” – conjunto de 17 elementos essenciais para as indústrias automotiva e de energia.

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Na última quarta-feira (23/7), o governo dos EUA voltou a demonstrar interesse nos MECs do Brasil. O recado foi transmitido pelo encarregado de negócios da embaixada norte-americana em Brasília, Gabriel Escobar, durante reunião com representantes do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram).

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Dados do Ibram e Centrorochas mostram que o setor de rochas registrou US$ 711 milhões em exportações em 2024 aos Estados Unidos, um crescimento de 17% em relação ao ano anterior, o que representa 57% das exportações de rochas brasileiras. O Espírito Santo é o principal polo, que responde por mais de 94% desse volume.

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Presidente dos EUA, Donald Trump

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Veja a íntegra do que disse Trump sobre Lula e Bolsonaro

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Donald Trump, presidente dos Estados Unidos

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Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump

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Segundo o Centrorochas, desde o anúncio da medida tarifária, em 9 de julho, estima-se que cerca de 60% dos embarques de rochas naturais brasileiras com destino ao mercado norte-americano tenham sido suspensos. A previsão é que, até o fim do mês, o setor deixe de embarcar cerca de 1.200 contêineres, o que pode representar uma redução de até US$ 40 milhões nas exportações brasileiras de julho.

Importância das terras raras?

Para o diretor de Geologia e Recursos Minerais do Serviço Geológico do Brasil, Valdir Silveira, o Brasil possui condições de usar a carta dos minérios críticos para negociar com os EUA diante do “tarifaço”. Ele destaca que o país é visto como um grande fornecedor de matérias-primas, como terras raras e nióbio, recursos essenciais para setores de alta tecnologia.

“Como país soberano, o Brasil pode sim usar como moeda de troca e tirar proveito dessa situação atual”, afirmou Silveira.

O diretor do Serviço Geológico do Brasil ressaltou ainda que o Brasil é um parceiro confiável e multilateral, qualificado para ocupar espaço no cenário geopolítico atual. Ele cita que o governo atual tem defendido a inserção do país em temas globais, como transição energética e segurança alimentar, onde os minerais brasileiros são indispensáveis. “Não haverá transição energética se nessa equação o Brasil não tiver inserido”, declarou,

EUA e Lula

Em fala sobre o tema nesta semana, o presidente Luiz Inácio Lula da SIlva (PT), afirmou que que os minerais estratégicos brasileiros, como o lítio e o nióbio, devem ser protegidos, pois são do povo brasileiro.

“Temos todo o nosso petróleo para proteger. Temos todo o nosso ouro para proteger. Temos todos os minerais ricos que vocês querem para proteger. E aqui ninguém põe a mão. Este país é do povo brasileiro”, disse Lula.

Victor Taranto, advogado especialista em direito minerário, destaca que os EUA estão em busca de alternativas para reduzir sua dependência de minerais estratégicos da China, o que coloca o Brasil em posição vantajosa. “A elevada dependência em relação à Pequim tem impulsionado Washington a buscar fontes mais seguras e politicamente alinhadas”, afirma. Ele ressalta que o país pode usar esse cenário como moeda de barganha.

Sobre a postura do Brasil nas negociações, Taranto avalia que as tarifas impostas pelos EUA têm motivação política, não apenas econômica. “Ainda que o Brasil mantenha déficit comercial com os americanos, foi incluído nessas medidas, o que mostra que o critério não foi puramente comercial”, observa.

O especialista aponta que, além dos minerais críticos, o país pode explorar outros ativos, como sua capacidade agroindustrial e parcerias em energia limpa, mas pondera, “Tais trunfos não garantem a reversão das tarifas, já que os interesses da política externa norte-americana são mais amplos”.

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