Início / Versão completa
BRASIL

Vacina contra zika da USP mostra bons resultados em testes com camundongos e avança para próxima fase

Por Cris Menezes 16/07/2025 07:22 Atualizado em 16/07/2025 07:22
Publicidade
© Rovena Rosa/Agência Brasil

Pesquisadores do Instituto de Medicina Tropical (IMT), da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), deram mais um passo importante no desenvolvimento de uma vacina contra o vírus zika. Os testes realizados em camundongos geneticamente modificados apresentaram resultados promissores: a vacina foi eficaz na prevenção de sintomas e lesões, além de ter se mostrado segura.

Publicidade

A equipe, liderada pelo médico Gustavo Cabral de Miranda, utilizou camundongos mais vulneráveis ao vírus para testar a eficácia do imunizante. Os animais produziram anticorpos capazes de neutralizar o vírus e impedir a progressão da infecção. Foram observados bons resultados principalmente em órgãos como cérebro e testículos, que costumam ser afetados com mais gravidade.

Tecnologia usada na vacina

O imunizante é produzido com base em partículas semelhantes ao vírus (VLPs, na sigla em inglês), uma plataforma já usada em vacinas como as da Hepatite B e HPV. Por imitar a estrutura do vírus real sem conter material genético infeccioso, essa técnica estimula o sistema imunológico sem a necessidade de adjuvantes – substâncias que aumentam a resposta imune.

A produção também utiliza biotecnologia com sistemas procarióticos, ou seja, feita a partir de bactérias, o que permite uma produção mais eficiente e em larga escala. No entanto, é necessário cuidado com resíduos bacterianos, como toxinas, durante o processo.

Publicidade

Essa mesma estratégia foi usada pelo grupo em pesquisas anteriores, incluindo o desenvolvimento de uma vacina contra a covid-19, quando Miranda participou do time da Universidade de Oxford entre 2014 e 2017. Foi ali que ele teve contato com o vetor ChAdOx1, que deu origem à vacina da AstraZeneca.

Segundo o pesquisador, a tecnologia usada na vacina contra o zika é formada por duas partes principais: a partícula VLP, que serve para ativar o sistema imunológico, e o antígeno EDIII, uma parte do envelope do vírus responsável por se ligar às células humanas.

Próximos passos: testes em humanos

A equipe agora busca financiamento para as fases seguintes da pesquisa, que envolvem testes clínicos em seres humanos. Por envolver altos custos – que podem chegar a milhões de reais – o processo é mais lento e depende de apoio financeiro.

Enquanto isso, o grupo também estuda outras abordagens, como vacinas com RNA mensageiro e diferentes combinações de imunização (estratégias heterólogas e homólogas). O projeto tem apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Gustavo Miranda ressalta que, apesar dos desafios, o avanço tecnológico abre portas para que o Brasil tenha autonomia na produção de vacinas no futuro.

“Nosso objetivo é desenvolver tecnologias que permitam a produção nacional de vacinas. Pode levar tempo, mas é um trabalho que precisa de continuidade para garantir nossa capacidade de resposta, seja a curto, médio ou longo prazo”, afirmou.

Via Agência Brasil.

Recomendado
Publicidade
Ver matéria completa no site
Página AMP gerada pelo Tupa AMP Pro com componentes válidos para AMP. Scripts comuns do tema são bloqueados nesta versão para reduzir erros de validação.