17 de junho de 2026

Brasil perde 111,7 milhões de hectares de áreas naturais em 40 anos, aponta MapBiomas

Brasil perde 111,7 milhões de hectares de áreas naturais em 40 anos, aponta MapBiomas
© Reuters/Ueslei Marcelino
© Reuters/Ueslei Marcelino

Entre 1985 e 2024, o Brasil teve 111,7 milhões de hectares de vegetação nativa convertidos por atividades humanas, área maior que o território da Bolívia. Os dados são da Coleção 10 de mapas anuais de cobertura e uso da terra do MapBiomas, divulgada nesta quarta-feira (13), que analisa quatro décadas de alterações na paisagem brasileira. Segundo o estudo, esses 40 anos concentram os períodos mais intensos de perda de áreas naturais desde a colonização do país.

De acordo com Tasso Azevedo, coordenador-geral do MapBiomas, aproximadamente 60% da ocupação do território já havia ocorrido antes de 1985, e os 40% restantes de conversão aconteceram apenas nas últimas quatro décadas. A média anual de perda de vegetação nativa no país foi de 2,9 milhões de hectares por ano, sendo a formação florestal a mais afetada, com 62,8 milhões de hectares suprimidos, o equivalente ao território da Ucrânia.

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Além das florestas, as áreas úmidas — que incluem floresta alagável, campos alagados, pantanais, mangues, apicum, reservatórios e outros corpos d’água — também sofreram redução significativa, com queda de 22% ao longo das quatro décadas.

Uso do solo e atividades humanas

A maior parte do território alterado passou a ser destinada à pastagem (62,7 milhões de hectares) e à agricultura (44 milhões de hectares). Entre os estados mais impactados pela expansão agrícola estão Paraná (34%), São Paulo (33%) e Rio Grande do Sul (30%). Segundo os pesquisadores, a pecuária foi o principal vetor de conversão de áreas naturais, especialmente por ocupar regiões previamente abertas por pastagens. A expansão da pecuária, no entanto, se estabilizou a partir do início dos anos 2000, mostrando uma leve tendência de queda nos últimos anos.

Os efeitos da degradação variam conforme o bioma:

  • Amazônia: perdeu 52,1 milhões de hectares, sendo a região mais afetada em extensão total;

  • Cerrado: 40,5 milhões de hectares convertidos;

  • Caatinga: 9,2 milhões de hectares transformados;

  • Mata Atlântica: 4,4 milhões de hectares;

  • Pantanal: 1,7 milhão de hectares;

  • Pampa: 3,8 milhões de hectares, representando 30% do território do bioma, a maior perda proporcional do país.

Transformações por década

  • 1985-1994: 36,5 milhões de hectares convertidos, principalmente em pastagens, período em que 30% dos municípios registraram aumento significativo de áreas urbanizadas.

  • 1995-2004: década com maior conversão, totalizando 44,8 milhões de hectares transformados, sendo 35,6 milhões destinados à agricultura; consolidou-se o chamado Arco do Desmatamento na Amazônia.

  • 2005-2014: período de menor alteração, com 17,6 milhões de hectares suprimidos; a maior parte afetada foi a floresta (15,4 milhões), incluindo formações florestais, savânicas, alagáveis, mangues e restingas arbóreas.

  • 2015-2024: degradação da vegetação voltou a crescer, impulsionada pelo aumento da mineração, especialmente na Amazônia, enquanto a expansão agrícola desacelerou. Surgiu uma nova área de desmatamento, chamada Amacro, abrangendo Amazonas, Acre e Rondônia.

Inovação no mapeamento do uso do solo

A edição mais recente do MapBiomas trouxe uma nova classe de uso do solo: as usinas fotovoltaicas, com expansão concentrada em 62% na Caatinga entre 2015 e 2024. Segundo Tasso Azevedo, “é a primeira vez que uma infraestrutura como fazendas solares é mapeada como uso da terra nos biomas brasileiros”, ampliando o detalhamento do monitoramento territorial e permitindo uma visão mais completa das alterações na paisagem nacional.

O estudo do MapBiomas é considerado o mais abrangente já realizado no país, com 30 classes mapeadas e dados detalhados de 40 anos, permitindo analisar o impacto das atividades humanas sobre os ecossistemas e fornecer subsídios para políticas públicas de conservação e uso sustentável do território.

Via Agência Brasil.