16 de junho de 2026

Criminosos escondem cocaína e skank em pirarucu e colocam comunidades em risco

Criminosos escondem cocaína e skank em pirarucu e colocam comunidades em risco

O tráfico de drogas na Amazônia tem adotado métodos cada vez mais sofisticados para transportar entorpecentes, utilizando cargas de peixe como disfarce. A nova rota do crime passa por cidades como Coari e Tabatinga, no Amazonas, onde cocaína e skank — uma variação potente da maconha, conhecida como “supermaconha” — são escondidas em caixas de isopor, entre o gelo, ou mesmo acopladas aos cascos de embarcações, dificultando a ação de cães farejadores e da fiscalização.

Essa prática criminosa tem afetado diretamente iniciativas de desenvolvimento sustentável na região. Um dos casos mais emblemáticos é o da cadeia produtiva do pirarucu em Tabatinga, na tríplice fronteira entre Brasil, Peru e Colômbia. A proposta, que buscava incentivar a pesca legal e gerar renda para as comunidades ribeirinhas, precisou ser suspensa pelo governo federal devido ao risco representado pelo narcotráfico.

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“Havia vulnerabilidade das pessoas envolvidas, que tinham medo de sofrer represálias do crime organizado”, afirmou Marta Machado, secretária nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos, em entrevista recente.

Em julho, a Polícia Militar do Amazonas apreendeu 23 quilos de entorpecentes escondidos em cargas de peixe. Outras operações revelaram o uso de vísceras de peixe, porões de barcos e até paredes falsas nas embarcações como esconderijo. As drogas, muitas vezes originárias do Peru e da Colômbia, seguem por rotas internacionais que incluem os estados do Pará e Amapá, com destino à Europa e à África.

Além do impacto direto na segurança pública, o avanço do tráfico de drogas tem provocado efeitos colaterais devastadores: aumento do desmatamento, do garimpo ilegal em áreas protegidas, e ameaças ao turismo e à integridade de comunidades ribeirinhas e indígenas.

Para combater o problema, o Ministério da Justiça estuda reforçar a fiscalização, prevenir o aliciamento de moradores pelas facções criminosas e investir em alternativas de renda sustentável que não coloquem em risco a vida das populações locais.