21 janeiro 2026

Entenda o “efeito porta”, quando esquecemos algo ao mudar de ambiente

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Com certeza você já passou por isso: está com alguma coisa em mente para fazer e, quando passa para outro cômodo, em casa, esquece completamente o que ia fazer. A psicologia cognitiva chama esse fenômeno de efeito porta e a reportagem do portal LeoDias entrevistou a psicóloga Kênia Ramos, que explicou sobre o tema.

“Ao mudar de cenário, o cérebro percebe a ação como o término de uma atividade e o começo de uma nova situação. Ao atravessar uma porta, o cérebro atualiza as informações contextuais, como se estivesse “abrindo um novo capítulo”. Nesse processo, a intenção inicial pode momentaneamente se perder, já que estava vinculada ao ambiente anterior”, explicou.

Veja as fotosAbrir em tela cheia Homem coçando a testaImagem: iStock Mulher coçando a testaReprodução vitat.com.br Mulher com a mão na testaCréditos: depositphotos.com / tommaso1979

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Segundo a profissional de saúde, o fenômeno não é grave e não denuncia nenhum problema sobre a memória da pessoa. Ela ainda deu uma dica: “Esse cenário não é sinal de esquecimento grave ou falta de atenção, mas sim um funcionamento natural do cérebro em organizar as experiências por contextos. Uma dica para amenizar a situação é reforçar a intenção antes de mudar de ambiente, por exemplo, repetir mentalmente: “vou à cozinha pegar um copo de água”. Assim, aumentamos as chances de manter a informação ativa até cumprirmos a tarefa.”

Surgimento do efeito porta
O efeito porta foi usado pela primeira vez em 2011, mas é um assunto estudado desde 2006. Na primeira pesquisa, a equipe de pesquisa pediu para os participantes que memorizassem objetos em um espaço virtual e se movimentassem em seguida para outro local. Foi descoberto que, no momento de atravessar a porta, a capacidade de relembrar daqueles objetos diminuía consideravelmente.

Posteriormente, outros estudos fortaleceram que se trata de um princípio geral de atualização de memória. Outro ponto constatado foi que a queda de rendimento não se originava à distância percorrida, nem à passagem do tempo, mas ao fato de mudar de sala. Os resultados firmaram a ideia do “modelo de horizonte de eventos”. Alterando-se o contexto, as informações associadas são segmentadas e se tornam menos acessíveis.

E o esquecimento ocorre até mesmo quando simplesmente imaginamos que estamos cruzando uma porta. Conclui-se que a questão não é a porta que apaga a memória, mas sim a mudança de cenário.

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