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Golpe às avessas – desta vez de dentro para fora do Congresso

Por Metrópoles 08/08/2025 04:27
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Batizada de “Festa da Selma”, nome da mulher do general Eduardo Villas Bôas, ex-comandante do Exército, a tentativa de golpe no 8 de janeiro de 2023, quando Lula já governava há uma semana, levou milhares de pessoas a tomarem de assalto os prédios do Congresso, do Palácio do Planalto e do Supremo Tribunal Federal.

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Até então acampadas à porta de quarteis  país afora, a exigirem uma intervenção militar para anular a eleição presidencial de 2022, elas imaginavam que com sua ação Bolsonaro retornaria ao cargo para lá permanecer quantos anos fosse necessário. Ele prometera destruir o “sistema”, mas a obra ficou incompleta.

Ainda não se arranjou um nome para lembrar o que aconteceu esta semana no Congresso – motim, rebelião, desordem, insurreição, tumulto, revolta, baderna ou anarquia? Obstrução é que não foi. Em uma Casa legislativa, obstrução é recurso utilizado para impedir o prosseguimento dos trabalhos e ganhar tempo.

Os mecanismos mais utilizados são os pronunciamentos, pedidos de adiamento da discussão e abandono do Plenário para que não se obtenha o quórum necessário ao início da votação. No caso em tela, não havia o que obstruir. O Congresso ainda não voltara das férias. E sua volta não poderia ser barrada.

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Pois bem: deputados e senadores bolsonaristas tomaram de assalto os plenários da Câmara e do Senado para retardar a reabertura do Congresso. Seu propósito: vincular a reabertura à votação da anistia aos golpistas e do impeachment Alexandre de Moraes. Afinal, Bolsonaro está prestes a ser condenado.

Se o que se viu no 8 de janeiro de 2023  foi uma tentativa de golpe de fora para dentro, o que se viu nos dias 5 e 6 de agosto de 2025 foi uma tentativa de golpe de dentro para fora. O país da jabuticaba é muito inventivo. Surpreende quando menos se espera. Não é para amadores, como se diz, embora abrigue muitos deles.

Teria sido fácil para Hugo Motta, presidente da Câmara dos Deputados, e David Alcolumbre, presidente do Senado, derrotar a intentona da direita extremista. Bastava ameaçar suspender os mandatos dos insurgentes mais ativos, e de fato cumprir a ameaça em prazo curto. A direção das duas Casas tem esse poder.

A Motta e a Alcolumbre, porém, faltou grandeza. Faltou coragem. Faltou aquilo roxo, como  diria o ex-presidente Fernando Collor. Faltou a compreensão do papel que deveriam exercer.

 

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