9 de julho de 2026

Lula tira Tarcísio da sua zona de conforto e irrita os bolsonaristas

Lula tira Tarcísio da sua zona de conforto e irrita os bolsonaristas
Lula tira Tarcísio da sua zona de conforto e irrita os bolsonaristas

Pela terceira vez consecutiva, os militares terão um candidato a presidente da República para chamar de seu. Em 2018 e em 2022 foi Bolsonaro, agora à beira da sepultura. Em 2026 será Tarcísio de Freitas. Bolsonaro, ex-capitão. Tarcísio, ex-capitão e engenheiro militar. Ambos afinados com os valores e os planos da caserna.

Uma vez eleito presidente, os chefes militares pensaram que seria moleza controlar Bolsonaro. Ocuparam todos os cargos oferecidos por ele e mais alguns que pediram. Descobriram mais tarde que seu filhote era relativamente incontrolável.  Foi Bolsonaro que os controlou, atraindo-os depois para uma aventura golpista.

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Havia um componente de mágoa no caso de Bolsonaro que não há no caso de Tarcísio. Bolsonaro acabou afastado do Exército por mau comportamento. Planejou detonar bombas em quartéis e em pontos chaves do Rio de Janeiro porque ganhava pouco. Em troca da patente de capitão, passou à reserva e ingressou na política.

Tarcísio concluiu em 1996 o bacharelado em Ciências Militares pela Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN), em Resende, no Rio. Seis anos depois, formou-se engenheiro civil pelo Instituto Militar de Engenharia (IME), no Rio. Em 2008, deixou o serviço militar e entrou para o funcionalismo público federal.

Bolsonaro foi um político vencedor. Disputou e venceu nove eleições seguidas – uma para vereador, sete para deputado federal, e uma para presidente. Ao tentar vencer a décima, elegendo-se presidente de novo, perdeu para Lula. Se tivesse aguentado o tranco, seria o nome da direita para a eleição do próximo ano.

Virou golpista por sua culpa, sua máxima e exclusiva culpa. Mas antes fez de Tarcísio ministro da Infraestrutura e, em 2022, candidato ao governo de São Paulo para que o ajudasse a se reeleger. Bolsonaro demonstrou faro apurado. Tarcísio, que nunca disputou uma eleição, surpreendeu-se com a   própria vitória.

É coisa rara na história de São Paulo alguém de fora se eleger governador. Tarcísio é carioca. Teve que trocar às pressas seu domicílio eleitoral para concorrer ao cargo de governador. É coisa rara um governador de São Paulo eleger-se presidente. De 1930 para cá, só um se elegeu: Jânio Quadros.

Embora pressionado por políticos, empresários, mercado financeiro e a maior parte da mídia a se declarar desde já candidato a presidente em 2026, Tarcísio conseguiu embromá-los com a conversa de que ainda não desistiu de tentar se reeleger, e de que o dono do seu destino é Bolsonaro. Acontece que Lula…

Pois é: por esperteza ou convicção, Lula decidiu tirar Tarcísio da sua zona de conforto. E ontem, pela primeira vez publicamente, aproveitou uma reunião com 38 dos seus ministros para anunciar que seu adversário será Tarcísio. Tocou fogo na direita que dispõe de outros nomes. Irritou Bolsonaro e a extrema-direita.

Nada, porém, que muito dinheiro e a promessa de repartição futura do Poder não possa resolver, apaziguando os ânimos de Bolsonaro e dos seus dependentes. Afinal, Bolsonaro já era.

 

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