13 de julho de 2026

MPF aciona Justiça para suspender normas que flexibilizam licenciamento ambiental em áreas arqueológicas no Acre

MPF aciona Justiça para suspender normas que flexibilizam licenciamento ambiental em áreas arqueológicas no Acre
Sítios arqueológicos como esse foram danificados no interior do Acre — Foto: Pedro Devani/Secom-AC/arquivo

O Ministério Público Federal (MPF) ingressou com uma ação urgente na Justiça Federal contra o governo do Acre e o Instituto de Meio Ambiente do Acre (Imac), solicitando a suspensão imediata de normas estaduais que facilitam o licenciamento ambiental de atividades agropecuárias em regiões que incluem sítios arqueológicos.

De acordo com o MPF, as regras estabelecidas pela Resolução nº 2/2022 do Conselho Estadual de Meio Ambiente e Florestas (Cemaf) e pela Portaria nº 211/2024 do Imac contrariam legislação federal, colocando em risco o meio ambiente e o patrimônio histórico da União.

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O Imac argumentou, em nota, que as normas foram definidas pelo Cemaf e, portanto, devem ser debatidas e decididas no âmbito do conselho, que é presidido pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema). O Cemaf, por sua vez, informou que fará uma análise técnica da recomendação feita pelo MPF.

Entre os principais pontos questionados está a permissão para atividades agropecuárias e agrossilvipastoris sem autorização prévia, o que desrespeita diretrizes nacionais. O MPF também aponta que a legislação estadual adota um conceito de “área rural consolidada” mais amplo do que o permitido por normas federais. Outro problema é a dispensa da consulta ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) nos processos de licenciamento.

Essa omissão já teria contribuído para a destruição de diversos sítios arqueológicos no estado, como os localizados nas áreas de Campo da Onça, Balneário Quinauá, Fazenda Missões, Ramal do Capatará e Fazenda Crixá, que sofreram impactos diretos de atividades agrícolas e pecuárias.

O MPF havia enviado, em abril deste ano, uma recomendação ao Imac e ao Cemaf solicitando a revisão das normas, mas não houve resposta efetiva. Agora, a ação judicial pede que:

  • O Imac promova o licenciamento ambiental adequado para atividades rurais em áreas consolidadas;
  • Haja licenciamento para manejo de pastagens e reincorporação de áreas já utilizadas;
  • O Iphan seja consultado previamente em todos os processos de licenciamento, mesmo que não haja registro de sítios arqueológicos;
  • A Funai também seja consultada em casos com possível impacto sobre terras indígenas.

O procurador Luidgi Merlo, responsável pela ação, destacou que a iniciativa visa proteger tanto o meio ambiente quanto o patrimônio cultural da União.

Em nota, o presidente do Imac, André Luiz Pereira Hassem, explicou que as declarações ambientais emitidas pelo órgão têm apenas função informativa e não autorizam desmatamento ou outras intervenções.

Condenação anterior

O caso ganhou maior atenção após o MPF processar, em 2024, o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Acre (Faeac), Assuero Doca Veronez, por destruir geoglifos em uma fazenda em Capixaba (AC). A investigação iniciou em 2019, com apoio do Iphan e da Polícia Federal.

O MPF reforça que áreas arqueológicas são bens da União e merecem proteção especial, como previsto na Constituição Federal.

Informações via G1 Acre.