20 janeiro 2026

Quem é o ex-gerente de hotel de luxo no DF que humilhava funcionários

spot_imgspot_imgspot_imgspot_img

O ex-gerente-geral do B Hotel, Alfredo Stefani Neto (foto em destaque), 64 anos, foi denunciado pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) após uma série de relatos de que ele teria por hábito ofender e discriminar funcionários do hotel de luxo. Os crimes teriam ocorrido entre 2022 e o início de 2025.

Paulista, Alfredo tem mais de 30 anos de experiência na área de hotelaria, onde atuou em diversos destinos nacionais e internacionais.

Formado em design industrial pela Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG) e em direito pela Faculdade de Direito Milton Campos, ele fez especializações na área de hospitalidade.

Veja fotos de Alfredo:

4 imagensFechar modal.1 de 4

Reprodução2 de 4

Reprodução3 de 4

Reprodução4 de 4

Reprodução

No currículo, Alfredo acumula experiências em diversos segmentos do setor hoteleiro, com passagens por resorts, empreendimentos corporativos e pousadas de luxo.

Desde junho de 2022, o acusado de crimes de homofobia e racismo permaneceu na gerência do B Hotel até janeiro deste ano, quando foi afastado e, em abril, demitido.

O B Hotel, localizado no Setor Hoteleiro Norte, é um dos hotéis mais renomados de Brasília e costuma receber diversos hóspedes ilustres, inclusive delegações de times e seleções de futebol.

Condutas discriminatórias

A Justiça acatou a denúncia e tornou Alfredo réu. O MP alega que o ex-gerente apresentou condutas discriminatórias e ofensivas motivadas por preconceito de raça, origem regional, orientação sexual, identidade de gênero contra pelo menos nove vítimas.

A Delegacia Especial de Repressão aos Crimes por Discriminação Racial, Religiosa ou por Orientação Sexual ou Contra a Pessoa Idosa ou com Deficiência (Decrin) concluiu a investigação do caso e enviou ao MPDFT.

Segundo as investigações, Alfredo teria chamado as vítimas de “nordestina burra”, “vai comer cuscuz”, “terrinha seca”, em referência à região Nordeste. Em outra ocasião, teria falado “Isso é uma coisa” , “na verdade é um cara”, e “não quero isso aqui” ao se referir a uma hóspede transexual.

Em outro caso, o Alfredo proferiu ofensas contra um funcionário, chamando-o de “bichona” e, ao se referir ao público LGBTQIA+ que frequentava evento próximo ao hotel, disse que “esses viados não vão embora”.

De acordo com a denúncia, o homem teria feito, também, comentários pejorativos sobre a aparência física e corporal de alguns empregados do hotel, criando ambiente de trabalho hostil, opressor e humilhante, conforme relatos de diversas testemunhas e vítimas do suspeito.

O MPDFT pede à Justiça do DF a indenização mínima de R$ 5 mil às vítimas, para reparação dos danos causados pela infração de racismo e homotransfobia, nos termos do artigo 387, IV, do Código de Processo Penal (CPP).

Após aceitar a denúncia, o Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJDFT) deve, agora, levar o caso a julgamento. Se condenado, Alfredo pode pegar pelo menos 10 anos de prisão.

O que diz o B Hotel

Em nota, o B Hotel informou que, assim que tomou conhecimento das denúncias contra o ex-gerente Alfredo Stefani Neto, “determinou seu afastamento imediato e conduziu uma apuração interna rigorosa”.

“Diante das evidências, procedeu ao seu desligamento por entender que o comportamento deste funcionário não estava alinhado com os valores inegociáveis do grupo de respeito à diversidade e inclusão nem à altura do serviço de excelência de nossos mais de 280 colaboradores”, acrescentou a nota.

A empresa também declarou que adotou uma série de medidas para reforçar os mecanismos de controle e políticas internas, incluindo:

  • Contratação de consultores especializados em diversidade, equidade e inclusão (DEI) para revisar e aprimorar as políticas internas;

  • Realização de treinamentos obrigatórios sobre vieses implícitos, respeito às diferenças e ambiente de trabalho livre de discriminação;

  • Criação de canais de denúncia, garantindo que colaboradores e hóspedes possam se manifestar com segurança e recebam retorno transparente e ágil.

O B Hotel reafirmou que condutas incompatíveis com seus princípios serão tratadas com total rigor e sem tolerância, e que seguirá atuando de forma firme e transparente para assegurar que seus valores sejam compreendidos por todos — colaboradores, fornecedores e hóspedes.

- Publicidade -

Veja Mais