Início / Versão completa
Geral

SP proíbe acorrentar pets: entenda como funciona a lei e o que muda

Por Metrópoles 26/08/2025 17:28
Publicidade

A cena de um cachorro preso por uma corrente curta, muitas vezes ao lado de um muro ou poste, não poderá mais se repetir em São Paulo. A nova Lei Estadual nº 18.184/2025, sancionada ontem (25/8) pelo governador Tarcísio Freiras, proíbe o acorrentamento ou amarração de cães e gatos em todo o estado, um avanço que vai além da legislação: atinge diretamente uma cultura de descuido disfarçado de contenção.

Publicidade
Leia também

Para a advogada Fabiana Trovó, do escritório Morad Advocacia Empresarial, a medida é um marco jurídico que reconhece o sofrimento por trás de uma prática historicamente naturalizada. “Manter um animal acorrentado por longos períodos é incompatível com o que se entende por bem-estar animal. Fere os princípios fundamentais definidos pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE)“, afirma.

A advogada também cita as chamadas “Cinco Liberdades”: estar livre de fome, dor, medo, desconforto e poder expressar comportamento natural. Ela reforça que nenhuma delas é compatível com a contenção permanente.

A nova legislação não só vete o uso contínuo de correntes, cordas e dispositivos que impeçam a locomoção, como também proíbe manter cães e gatos em locais inadequados, insalubres ou que ofereçam risco à saúde e à vida. Há, no entanto, exceções para o uso temporário de cordas do tipo “vaivém”, desde que em condições muito específicas.

5 imagensFechar modal.1 de 5

Os vira-latas são os mais populares entre cães e gatos

Getty Images2 de 5

Muitas pessoas também escolhem ter cães e gatos juntos

Getty Images3 de 5

A convivência pode ser positiva para os pets

Cães Online / Reprodução 4 de 5

A adoção de vira-latas é importante no combate ao abandono animal

Reprodução/GettyImages5 de 5

Vira-lata ou de raça, um pet pode mudar sua vida

Getty Images

“A coleira precisa ser adequada ao porte, o pet precisa de espaço, precisa se deslocar minimamente, ele dever ter abrigo, água limpa, alimentação, e não pode estar exposto a extremos climáticos nem conviver com animais agressivos. O uso de enforcadores, por exemplo, está expressamente proibido”, detalha Fabiana.

Ainda que a nova norma estadual não preveja punições específicas, ela se conecta à Lei de Crimes Ambientais (nº 9.605/1998), permitindo punições que vão desde multa e detenção até a perda da guarda do animal.

Na visão de uma veterinária

Na prática, a nova regra mira não só a contenção física, mas um tipo de negligência silenciosa que compromete a saúde dos pets, e, muitas vezes, passa despercebida até pelos próprios tutores. Para a veterinária Paula Castro, responsável técnica da clínica de cães e gatos da FMU, prender um animal é sinônimo de crueldade.

“É só pensar: nenhum ser vivo merece ter sua liberdade de movimento restringida. Essa prática causa lesões físicas sérias, como feridas na pele, problemas de coluna, fraturas e até danos neurológicos”, explica.

Ela relata que é comum animais acorrentados se debaterem para tentar se soltar, o que eleva a movimentos violentos  com a cabeça e pescoço. “Isso pode resultar em lesões na coluna cervical, membros e até no sistema nervoso central. E não é só físico, o estresse frequente também prejudica o sistema imunológico, deixando o animal mais vulnerável a doenças.”

Independentemente do porte ou raça, os animais precisam de liberdade para se movimentar

Para Paula, um dos principais méritos da nova lei é forçar um questionamento essencial: por que tantas pessoas ainda adotam animais sem considerar sua real capacidade de cuidar deles?

“É preciso refletir: tenho condições de manter um animal por 15 anos? Posso oferecer um ambiente seguro, comida adequada, acompanhamento veterinário? A maioria das pessoas não faz essa análise antes de levar um pet para casa — e isso é o início de muitos maus-tratos.”

Denúncias de acorrentamento ilegal podem ser feitas por diversos canais, como a Polícia Militar Ambiental (190), Delegacia Civil ou o Ministério Público Estadual. A lei também reforça a atuação de ONGs e protetores independentes, que já trabalham com base no princípio de que cães e gatos são seres sencientes — ou seja, sentem dor, medo, solidão.

“Essa norma vem para acabar com a ideia de que animal pode ser tratado como alarme de quintal”, resume Fabiana Trovó. “Eles não são objetos de segurança. São seres vivos com direitos — e agora, em São Paulo, com mais uma camada de proteção garantida por lei.”

Recomendado
Publicidade
Ver matéria completa no site
Página AMP gerada pelo Tupa AMP Pro com componentes válidos para AMP. Scripts comuns do tema são bloqueados nesta versão para reduzir erros de validação.