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Trump entregará aos brasileiros a picanha do Lula (Por Vicente Nunes)

Por Metrópoles 03/08/2025 09:27
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O tarifaço de 50% sobre os produtos brasileiros anunciado, na quarta-feira (30/07), pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, terá impactos políticos e econômicos que podem ajudar o Governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo o economista-chefe do Banco Master, Paulo Gala, os preços de vários produtos exportados para os EUA e sobretaxados pelo líder norte-americano, como as carnes bovinas, já estão caindo, beneficiando os consumidores. Trump, afirma Gala, vai entregar aos brasileiros a picanha que Lula prometeu.

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Durante a campanha eleitoral, Lula prometeu que, “no governo dele, os brasileiros voltariam a comer picanha”, carne nobre muito consumida em churrascos. Mas, desde que o petista tomou posse, os preços das carnes em geral, e da picanha, em particular, dispararam. Agora, acredita o economista, com as carnes brasileiras sobretaxadas em 50%, em vez de seguirem para os Estados Unidos, os produtos deverão ser vendidos no mercado interno. Com a oferta maior, os preços tendem a cair. Segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC), o Brasil exporta todos os anos para os EUA mais de 1 bilhão de dólares.

Paulo Gala ressalta que, antes mesmo de o tarifaço de Trump se confirmar — a alíquota de 50% entrará em vigor em 6 de agosto —, os preços da carne já vinham cedendo no Brasil. No acumulado de julho, o preço do boi gordo caiu 8,05% em dólar, para US$ 53,20 a arroba (15 quilos). “Essa queda no preço da arroba indica uma reversão do ciclo de alta e reflete maior disponibilidade do produto para o mercado interno”, explica. O especialistas acredita que essa redução dos preços no atacado será gradualmente repassada para o varejo, chegando ao consumidor final. “A tendência é de haver deflação nos preços da carne, movimento que deve se espalhar nos próximos meses”, assinala.

Por outro lado, destaca o economista, os preços da carne estão disparando nos Estados Unidos, atingindo os níveis mais elevados da história. Pelos cálculos do US Bureau of Labor Statistics, o quilo da carne moída subiu 12% em junho deste ano em relação ao mesmo período de 2024. As carnes cortadas em bife (steaks) também ficaram mais caras. Gala acredita que esse movimento de alta tende a se manter diante da oferta menor dos produtos por causa do tarifaço imposto por Trump. Ou seja, se os brasileiros vão comprar carnes a preços mais baixos, nos Estados Unidos, os produtos vão escassear nos pratos dos consumidores

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Especialista em índices de inflação, o economista sênior da BGC Corretora, Carlos Thadeu Filho, diz que, neste primeiro momento, o impacto do tarifaço de Trump sobre os produtos exportados pelo Brasil é desinflacionário. Ele calcula que, com a maior oferta no mercado interno de produtos como carnes, pescados frutas e café, todos sobretaxados pelo governo norte-americano, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), usado como referência pelo Banco Central para as metas de inflação, ficará, neste ano, entre 0,15 e 0,20 ponto percentual abaixo do esperado inicialmente. “Estamos estimando que o IPCA encerre o ano entre 4,8% e 5%, ainda acima do teto da meta (de 4,5%)”, frisa. Para 2026, Thadeu filho projeta inflação de 4%, já dentro da meta.

Por outro lado, o economista da BGC Corretora prevê uma ligeira redução no Produto Interno Bruto (PIB), entre 0,10 e 0,20 ponto percentual. Na média, o mercado financeiro estima que a economia brasileira deve se expandir 2,23% neste ano e 1,89% em 2026. “Não sei se o governo brasileiro conseguirá surfar na onda de uma inflação um pouco menor e uma atividade mais resiliente, pois o país está sofrendo muito com a polarização política”, afirma. O índice de desemprego, por exemplo, de 5,8%, é o menor da série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mas esse dado positivo acaba se perdendo na guerra de versões entre governistas e oposição nas redes sociais.

Thadeu Filho ressalta, ainda, que nem todos os produtos sobretaxados por Trump ficarão no mercado interno. Os produtores, segundo ele, tentarão exportá-los para outros mercados. A Argentina, por sinal, ampliou muito a compra de mercadorias do Brasil nos últimos meses, graças à sobrevalorização do peso. O país é o terceiro destino das exportações brasileiras, atrás de China e Estados Unidos. “Não podemos esquecer que o país está se aproximando do período de entressafra, em que os preços das carnes costumam subir”, diz.

 

(Trecho de artigo transcrito do PÚBLICO-Brasil)

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