9 de julho de 2026

Após fraudes, Receita endurece regras para importação de combustíveis

Após fraudes, Receita endurece regras para importação de combustíveis
Após fraudes, Receita endurece regras para importação de combustíveis

Depois de detectar uma série de fraudes na importação e comercialização de combustíveis, petróleo e derivados, reveladas pela Operação Cadeia de Carbono, deflagrada na semana passada, a Receita Federal anunciou mudanças em algumas regras do setor para aumentar a fiscalização.

A medida foi tomada quase um mês depois de outra operação, a Carbono Oculto, ter mostrado a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no setor de combustíveis e no mercado financeiro.

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De acordo com a Receita, as novas regras têm o objetivo de prevenir e combater fraudes, principalmente em compras que escondem os nomes dos reais vendedores, compradores ou responsáveis por determinadas operações.

O órgão informou que foi publicada nesta quarta-feira (24/9) uma portaria que estabelece iniciativas para reforçar a atuação do Fisco no combate ao crime organizado e a desvios envolvendo a importação de combustíveis.

O que diz a Receita

Entre as novas regras anunciadas pela Receita, estão o tratamento prioritário para o combate a crimes tributários e aduaneiros e uma maior articulação entre a Receita e os órgãos de segurança pública.

Segundo a Receita, as novas regras têm “papel fundamental no combate a fraudes que envolvem a ocultação do real vendedor e do comprador ou responsável pela operação, fortalecendo a fiscalização e a segurança aduaneira (interposição fraudulenta)”.

“O novo regramento tem como objetivo aprimorar a identificação de irregularidades, promover ações coordenadas com outros órgãos públicos e garantir maior controle sobre produtos sensíveis à economia e à segurança nacional”, diz o órgão.

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Veja o que muda

As principais mudanças anunciadas pela Receita Federal são:

  • Tratamento prioritário para crimes tributários e aduaneiros e uma articulação maior e mais eficiente entre a Receita e órgãos de segurança pública.
  • Ações para a coleta de provas, com apoio policial sempre que necessário, para garantir a integridade dos agentes e a efetividade das operações.
  • Regras mais restritivas para o despacho aduaneiro antecipado de petróleo, etanol e combustíveis, passando a ser exigida uma anuência formal da Receita.
  • Endurecimento dos requisitos de habilitação dos importadores de combustíveis e derivados de petróleo.

“Nesses casos de despacho antecipado de combustíveis, será necessária também a anuência do Fisco estadual do local do estabelecimento importador e do Fisco do local da descarga do combustível, reduzindo os riscos de fraude contra a administração local”, informou a Receita Federal.

Ainda de acordo com o órgão, nenhuma das novas medidas atingirá empresas de “alta conformidade” com o Fisco, que seguirão tendo de cumprir procedimento mais “simplificado e ágil”.

Operação Cadeia de Carbono

Na semana passada, a Receita Federal deflagrou a Operação Cadeia de Carbono, que investigou uma série de ilegalidades na importação de combustíveis. A operação desarticulou organizações criminosas que ocultavam os reais importadores do produto e a origem dos recursos financeiros. Segundo a Receita, o objetivo dos criminosos era lavar dinheiro e sonegar impostos.

11 imagensOperação Carbono OcultoMegaoperação cumpre mandados contra esquema em postos de combustíveis e fintechs controlados pelo PCCMegaoperação cumpre mandados contra esquema em postos de combustíveis e fintechs controlados pelo PCCCerca de 1 mil postos movimentaram R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024A megaoperação descobriu que pelo menos 40 fundos de investimentos foram utilizados como estruturas para ocultação de patrimônioFechar modal.1 de 11

Operação Carbono Oculto

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Operação Carbono Oculto

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Megaoperação cumpre mandados contra esquema em postos de combustíveis e fintechs controlados pelo PCC

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Megaoperação cumpre mandados contra esquema em postos de combustíveis e fintechs controlados pelo PCC

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Cerca de 1 mil postos movimentaram R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024

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A megaoperação descobriu que pelo menos 40 fundos de investimentos foram utilizados como estruturas para ocultação de patrimônio

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São cumpridos cerca de 350 mandados de busca e apreensão a pessoas físicas e jurídicas em oito estados pelo país

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Operações financeiras por meio de fintechs dificultavam o rastreamento dos valores que eram transacionados

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Foram sonegados mais de R$ 7,6 bilhões em impostos, segundo a megaoperação

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Proprietários dos postos de combustíveis venderam seus estabelecimentos ao grupo criminoso e eram ameaçados de morte caso fizessem alguma cobrança

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Há indícios de que lojas de conveniência e padarias também parcipavam do esquema

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Operação Carbono Oculto

Na Operação Carbono Oculto, por sua vez, os agentes investigaram vários segmentos da cadeia de combustíveis que eram controlados pelo crime organizado, entre os quais a importação, a produção, a distribuição e a venda para o consumidor final.

Para isso, os grupos criminosos tentavam “blindar” ou ocultar o patrimônio – e faziam isso por meio de fintechs e fundos de investimentos, o que acaba ligando as fraudes reveladas pela operação à Faria Lima, centro financeiro da maior cidade do país.

Segundo a Receita Federal, as investigações apontaram que “o sofisticado esquema engendrado pela organização criminosa, ao mesmo tempo que lavava o dinheiro proveniente do crime, obtinha elevados lucros na cadeia produtiva de combustíveis”.

“O uso de centenas de empresas operacionais na fraude permitia dissimular os recursos de origem criminosa. A sonegação fiscal e a adulteração de produtos aumentavam os lucros e prejudicavam os consumidores e a sociedade”, afirma a Receita.

Os suspeitos de envolvimento no esquema usavam importadoras que atuavam como “interpostas pessoas, adquirindo no exterior nafta, hidrocarbonetos e diesel com recursos de formuladoras e distribuidoras vinculadas à organização criminosa”.

Um dos pontos cruciais da organização criminosa, de acordo com as investigações, era a blindagem do patrimônio dos envolvidos. “Os valores eram inseridos no sistema financeiro por meio de fintechs, empresas que utilizam tecnologia para oferecer serviços financeiros digitais. A Receita Federal identificou que uma fintech de pagamento atuava como ‘banco paralelo’ da organização criminosa, tendo movimentado mais de R$ 46 bilhões de 2020 a 2024”, afirma a Receita.

Os criminosos controlavam várias instituições de pagamento menores, criando, assim, uma espécie de camada dupla de ocultação do patrimônio. “A fintech também recebia diretamente valores em espécie. Entre 2022 e 2023, foram efetuados mais de 10,9 mil depósitos em espécie, totalizando mais de R$ 61 milhões. Este é um procedimento completamente estranho à natureza de uma instituição de pagamento, que opera apenas dinheiro escritural”, afirmam os investigadores.

Ainda segundo a Receita, a “utilização de fintechs pelo crime organizado objetiva aproveitar brechas na regulação desse tipo de instituição”. “Essas brechas impedem o rastreamento do fluxo dos recursos e a identificação, pelos órgãos de controle e de fiscalização, dos valores movimentados por cada um dos clientes da fintech de forma isolada.”

De acordo com a Receita Federal, já foram identificados pelo menos 40 fundos de investimentos, com patrimônio de R$ 30 bilhões, ligados ao PCC. Eles eram, em sua maioria, fundos fechados com um único cotista – em geral, outro fundo de investimento, o que aumentava as camadas de ocultação do patrimônio.

Entre os bens adquiridos por esses fundos, estão um terminal portuário, quatro usinas produtoras de álcool, 1.600 caminhões para transporte de combustíveis e mais de 100 imóveis.