19 de junho de 2026

Após queda de Assad, governo tem Parlamento provisório sem voto direto

Após queda de Assad, governo tem Parlamento provisório sem voto direto
Após queda de Assad, governo tem Parlamento provisório sem voto direto

O novo Parlamento, chamado Assembleia Popular, será composto por 210 membros, dos quais 140 serão escolhidos por um colégio eleitoral formado por comitês locais — e não por voto direto. Os outros 70 serão nomeados diretamente pelo presidente interino Ahmed al-Sharaa. A ausência de partidos políticos, campanhas públicas e participação popular direta levanta dúvidas sobre a legitimidade do processo.

Leia também

Segundo o governo provisório sírio, a eleição indireta é a única alternativa viável diante da destruição institucional, do deslocamento de milhões de cidadãos e da falta de documentos oficiais. “A realidade na Síria não permite eleições tradicionais”, afirmou o governo em comunicado divulgado em junho.

Regiões excluídas e tensões internas

A votação, marcada para 5 de outubro, não ocorrerá em todas as regiões. Províncias como Sueida (dominada pela minoria drusa) e partes de Raqqa e Hassakeh (sob controle curdo) foram excluídas por “questões de segurança” — embora analistas apontem que o verdadeiro motivo seja a ausência de controle do governo central sobre essas áreas.

A Administração Autônoma Curda (AANES) criticou duramente o processo, afirmando que ele “não representa a vontade do povo sírio” e que a justificativa de insegurança serve para negar direitos políticos a mais de cinco milhões de cidadãos.

Leia mais em RFI, parceira do Metrópoles.