10 de junho de 2026

Condenação de Bolsonaro põe pressão em Tarcísio para buscar anistia

Condenação de Bolsonaro põe pressão em Tarcísio para buscar anistia
Condenação de Bolsonaro põe pressão em Tarcísio para buscar anistia

Após a condenação de Jair Bolsonaro (PL) no Supremo Tribunal Federal (STF), o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), vai mergulhar na articulação por um projeto de lei que conceda anistia ao ex-presidente para marcar posição no bolsonarismo, mas especialistas veem uma saída jurídica como uma alternativa mais viável, que foi aberta após o voto divergente do ministro Luiz Fux.

Por 4 votos a 1, Bolsonaro foi condenado, nesta quinta-feira (11/9), pela Primeira Turma do STF, a 27 anos e 3 meses de prisão pelos crimes de liderança de organização criminosa, tentativa de abolição violenta do Estado democrático de direito, golpe de Estado, dano contra o patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado.

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Embora Tarcísio já tenha viagem marcada a Brasília para articular a anistia na próxima semana, a mobilização está bloqueada, diz o cientista político da Universidade de Brasília (UnB), Murilo Medeiros. O Congresso Nacional, em especial os partidos de centro-direita, não querem se desgastar no projeto de lei que não deve ter futuro, já que o STF ou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) devem vetar.

“A condenação consolidada do ex-presidente deve acelerar o processo de sucessão nas urnas. Com a pauta da anistia travada no parlamento, o caminho do indulto presidencial deve ganhar prioridade. E o governador Tarcísio, ao se colocar como potencial presidenciável, tem esse trunfo de que ele é o nome mais viável para articular uma solução jurídica de Jair Bolsonaro”, diz Medeiros.

A solução jurídica passaria pelo grupo político de Bolsonaro conseguir mudar o clima em um Judiciário que acaba de condená-lo. Por isso, a próxima eleição presidencial se torna essencial. O próximo mandatário irá indicar três nomes ao Supremo, que irão ocupar as cadeiras de Luiz Fux em 2028, Cármen Lúcia em 2029, e Gilmar Mendes em 2030 – os ministros vão atingir a idade máxima para atuar na Corte no próximo mandato.

Radicalização do discurso e disputa por espólio

Murilo Medeiros ainda acredita que o discurso radicalizado pela promessa de indulto a Bolsonaro “no primeiro ato como presidente” e pelo ataque direto ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, no último 7/9 na Avenida Paulista, mostram que Tarcísio está disposto a perder influência no Judiciário para disputar o espólio político de Bolsonaro.

“Tarcísio demonstra que está disposto até mesmo a fazer um enfrentamento público com o Supremo Tribunal Federal, pelo menos no primeiro momento, para vencer essas prévias da família Bolsonaro. É um jogo arriscado, mas necessário para que ele receba a bênção do bolsonarismo raiz, e viabilize seu projeto presidencial. Agora, é claro, no outro momento, ele indo ao segundo turno, necessariamente vai ter que ampliar seu arco de diálogo e tirar o figurino de radical”, afirma Medeiros.

Para o cientista político Marco Antônio Teixeira, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Tarcísio é o candidato mais viável “por força da gravidade”, enquanto governador do estado com mais eleitores e mais recursos no país. No entanto, ele escolheu radicalizar o discurso para sair na frente na disputa bolsonarista. A “próxima trincheira”, segundo Teixeira, é a luta por anistia para se consolidar com alguém que já têm “confiança do mercado, das camadas médias conservadoras” e não perder o apoio do bolsonarismo.

9 imagensValdemar da Costa Neto, Silas Malafaia e Tarcísio de Freitas conversam durante manifestação bolsonarista na Avenida PaulistaAliado de Bolsonaro, Tarcísio conversa com Moraes durante cerimônia no TSETarcísio e Bolsonaro durante reunião na casa do ex-presidente, em BrasíliaTarcísio de Freitas discursa durante manifestação bolsonarista por anistia de envolvidos na invasão dos Três Poderes, em 8 de janeiro de 2023Ministro Luiz Fux, do STFFechar modal.1 de 9

Tarcísio de Freitas na Avenida Paulista

Danilo M. Yoshioka/Metrópoles2 de 9

Valdemar da Costa Neto, Silas Malafaia e Tarcísio de Freitas conversam durante manifestação bolsonarista na Avenida Paulista

Sam Pancher/Metrópoles3 de 9

Aliado de Bolsonaro, Tarcísio conversa com Moraes durante cerimônia no TSE

Igo Estrela/ Metrópoles4 de 9

Tarcísio e Bolsonaro durante reunião na casa do ex-presidente, em Brasília

Acervo/ coluna Paulo Cappelli5 de 9

Tarcísio de Freitas discursa durante manifestação bolsonarista por anistia de envolvidos na invasão dos Três Poderes, em 8 de janeiro de 2023

Danilo M. Yoshioka/Especial Metrópoles6 de 9

Ministro Luiz Fux, do STF

Victor Piemonte/STF7 de 9

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Cármen Lúcia faz defesa da urna eletrônica em julgamento de Bolsonaro

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BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakifoto

Com dificuldades de viabilizar a anistia, o indulto presidencial se torna a próxima aposta do bolsonarismo e, para isso, o grupo político não deve deixar de bancar o candidato mais viável nas eleições.

“O Tarcísio está candidatíssimo. Eu diria que a chapa dos sonhos deve ser ele e a Michelle, pensando em alguém que tem um pé na direita e não abre mão do bolsonarismo, tem que ter alguém da família na chapa, mas ao mesmo tempo essa definição vai se alongar, porque a família não vai querer entregar o capital eleitoral antes que todos os recursos venham a ser inviabilizados”, argumenta.

Antes da condenação de Bolsonaro, Tarcísio optou por radicalizar o discurso em um aceno à base do ex-presidente. Agora, segundo os especialistas, o governador deve manter os ritos necessários para disputar o espólio político bolsonarista, mas deixa para o futuro a recomposição das relações com o Judiciário e a centro-direita, passo que será importante para se tornar como um presidenciável viável.