A defesa de Jair Bolsonaro comunicou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que o ex-presidente precisou ser encaminhado ao hospital DF Star para atendimento de emergência. O comunicado foi enviado ao ministro Alexandre de Moraes no final da tarde desta terça-feira (16/9), em Brasília. Segundo os advogados, Bolsonaro apresentou “episódio de mal-estar, pré-síncope e vômitos com queda da pressão arterial, sendo necessário ir à emergência do Hospital DF Star”.
A notificação ao STF foi necessária porque o ex-presidente cumpre prisão domiciliar desde 4 de agosto. Os advogados seguiram determinação de Moraes, que exige comprovação médica em até 24 horas para emergências de saúde. Um atestado médico foi protocolado junto ao comunicado. Moraes já anexou o documento ao processo e encaminhou para ciência da Procuradoria-Geral da República (PGR).
Veja as fotosAbrir em tela cheia Bolsonaro vai a hospital para remover lesões na peleReprodução/LeoDias TV BolsonaroFoto: Antonio Augusto/STF
Jair Bolsonaro (PL) Foto: Ton Molina/STF Pai e filho, Jair e Eduardo BolsonaroFoto: Tomzé Fonseca/Futura Press/Estadão O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) está cumprindo prisão domiciliarReprodução: Internet
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O deputado federal Evair de Melo (PP-ES) esteve no DF Star e informou que Bolsonaro estava em processo de estabilização antes de realizar exames. O parlamentar mencionou que médicos que acompanham o ex-presidente estavam se deslocando de São Paulo para a capital federal.
Esta é a terceira saída de Bolsonaro de sua residência para atendimento médico desde o início da prisão domiciliar. Em agosto, ele realizou exames de rotina. No domingo (14), três dias após sua condenação pela Primeira Turma do STF a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado, o ex-presidente também esteve no hospital. Todas as saídas foram previamente autorizadas pelo ministro.
Na visita de domingo ao DF Star, Bolsonaro permaneceu aproximadamente seis horas no hospital. Na ocasião, passou por procedimento cirúrgico para remoção de lesões na pele e realizou exames complementares. Agentes da Polícia Penal do DF, responsáveis por sua vigilância durante a prisão domiciliar, escoltaram o ex-presidente.
Após o atendimento de domingo, o médico Cláudio Birolini concedeu entrevista sobre o estado de saúde do paciente. Bolsonaro, mesmo proibido pela Justiça de fazer declarações públicas, acompanhou o médico durante a entrevista antes de deixar o hospital. No local, apoiadores cantavam trechos do hino nacional, gritavam “mito” e pediam “anistia”. Carlos Bolsonaro (PL-RJ) e Jair Renan (PL-SC), filhos do ex-presidente, o acompanharam na internação de domingo.
Posteriormente, Carlos criticou nas redes sociais a escolta policial, afirmando que a ação tinha como objetivo “humilhar” seu pai, “como se um senhor de 70 anos pudesse fugir por uma janela”.
Na segunda-feira (15/9), Moraes solicitou à Polícia Penal do DF um relatório detalhado sobre a escolta realizada no domingo. O ministro estabeleceu prazo de 24 horas para informações sobre o veículo utilizado no transporte, os agentes que acompanharam Bolsonaro no quarto e o motivo do transporte não ter sido realizado imediatamente após a liberação médica.
O médico Birolini afirmou, após o procedimento de domingo, que a saúde do ex-presidente é frágil e necessita de acompanhamento constante. Bolsonaro possui histórico de internações e cirurgias, muitas relacionadas às complicações decorrentes da facada sofrida em 2018, durante campanha eleitoral em Juiz de Fora (MG).
A defesa de Bolsonaro aguarda a publicação do acórdão do julgamento para apresentar recursos após a recente condenação pela trama golpista. Os advogados devem solicitar a manutenção da prisão domiciliar, usando como argumento as condições de saúde do ex-presidente.


