9 de julho de 2026

Enterrada, PEC da Blindagem dava foro até para presidentes de partidos

Enterrada, PEC da Blindagem dava foro até para presidentes de partidos
Enterrada, PEC da Blindagem dava foro até para presidentes de partidos

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado rejeitou por unanimidade, nesta quarta-feira (24/9), a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 3/2021 — conhecida como PEC da Blindagem —, que buscava restringir processos contra deputados e senadores. A medida havia sido aprovada na semana passada no plenário da Câmara dos Deputados.

A proposta dispunha de prerrogativas parlamentares e previa até que presidentes nacionais de partidos políticos com representação no Congresso fossem julgados pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

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Com a votação, o parecer do senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator da proposta, segue para o plenário do Senado. No relatório, Vieira declarou a inconstitucionalidade da proposta e recomendou a rejeição.

A PEC nasceu na Câmara e havia sido aprovada em votação expressiva. O texto previa alterar a Constituição para que parlamentares só pudessem ser processados criminalmente com autorização da própria Casa legislativa, a partir do momento em que tomassem posse.

A medida, entretanto, gerou forte reação popular. Após convocação de partidos políticos, movimentos sociais, artistas e influenciadores, manifestações contra a proposta ocorreram nas 27 capitais brasileiras.

Ao apresentar parecer contrário, Vieira destacou que sua posição reflete o respeito à vontade popular.

“Não podemos confundir prerrogativas com proteção àquele que comete crimes. A sociedade brasileira grita em sentido diametralmente oposto, ou seja, ela almeja o fim da impunidade, como as amplas manifestações públicas sinalizaram no último domingo”, explicou.

E prosseguiu: “Votamos pela inconstitucionalidade, injuridicidade e rejeição da Proposta de Emenda à Constituição (…). Confio que o plenário desta Comissão rejeitará a PEC da Blindagem, virando uma página triste do nosso Legislativo e homenageando a nítida vontade popular, que clama por mais justiça”.

A PEC da Blindagem

  • Proposta visava impedir que deputados e senadores sejam processados sem autorização de suas próprias Casas.
  • O projeto visava, ainda, votação secreta e decisão em até 90 dias após pedido do STF.
  • Câmara aprovou o projeto em 16 de setembro, mas a população rejeitou a medida e realizou manifestações em várias capitais no último domingo (21/9).

Tentativas de salvar o texto

Antes da votação, o senador Sergio Moro (União Brasil-PR) apresentou uma emenda para restringir à blindagem apenas investigações envolvendo “crimes contra a honra” ou imputações fundadas exclusivamente em opiniões, palavras e votos dos parlamentares.

Entretanto, o senador recuou e retirou a emenda. As outras emendas apresentadas foram rejeitadas pela comissão.

Após a decisão, o presidente da CCJ, Otto Alencar (PSD-BA), afirmou ter firmado um acordo com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), para também rejeitar a PEC no plenário. Ainda não há data definida para essa votação.