9 de julho de 2026

Esqueletos, raios e neve: o código secreto do tráfico no Sudoeste

Esqueletos, raios e neve: o código secreto do tráfico no Sudoeste
Esqueletos, raios e neve: o código secreto do tráfico no Sudoeste

Pequenos objetos tridimensionais, como um esqueleto de peixe, um raio ou um floco de neve, eram usados como brindes para marcar a relação entre traficantes e usuários no Sudoeste. Longe de simples lembranças, esses símbolos serviam como um código secreto de drogas: o esqueleto representava cocaína, o raio significava ecstasy, e o floco de neve identificava haxixe ou loló. A prática, considerada “inovadora e ousada” pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), tinha como alvo principal adolescentes e jovens da região.

O esquema foi descoberto pela 3ª Delegacia de Polícia (Cruzeiro) e desmantelado no último sábado (6/9), durante a Operação Wolf. O ponto de distribuição funcionava em um apartamento de alto padrão na quadra 504 do Sudoeste, mantido por um casal que se tornou conhecido como os maiores traficantes da área.

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Segundo as investigações, a boca de fumo operava com forte apelo simbólico e buscava criar um vínculo de exclusividade com usuários. Os brindes em 3D funcionavam como cartões de fidelidade: além de disfarçar a relação criminosa, reforçavam a sensação de pertencimento ao grupo de consumidores.

Veja os brindes dados pelo casal de traficantes:

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Material cedido ao Metrópoles

Casal de luxo

No imóvel, a polícia apreendeu cocaína, maconha, haxixe, ecstasy e frascos de clorofórmio (loló), além de balanças de precisão, embalagens, dinheiro vivo e até canudos usados para consumo dentro do próprio apartamento.

A investigação aponta Henrique Sampaio da Silva, 39 anos, como o líder do esquema. Ele já havia sido preso cinco vezes por tráfico e chegou a ser nomeado para um cargo comissionado em um órgão público, mas nunca assumiu o posto. Sua companheira, advogada, também foi detida.

O disfarce

Os primeiros levantamentos policiais tiveram dificuldade em registrar flagrantes, já que usuários raramente eram encontrados com drogas em mãos. Apenas após meses de observação, foi possível entender que o código dos brindes era usado como substituto dos entorpecentes no momento da abordagem.  Dentro do apartamento, placas e avisos comunitários simulavam preocupação social, numa tentativa de despistar vizinhos e autoridades.

A ação policial prendeu o casal em flagrante pelos crimes de tráfico e associação para o tráfico. De acordo com o delegado-chefe da 3ªDP, Victor Dan, o caso chamou atenção pelo nível de sofisticação e pela ousadia de atingir até adolescentes em idade escolar. “O objetivo era driblar a polícia e expandir a clientela. Criaram uma linguagem própria para conquistar jovens e naturalizar o consumo”, destacou o delegado-chefe da 3ª DP, Victor Dan..

A PCDF informou que a vigilância no Sudoeste continuará reforçada para impedir que o esquema seja retomado e garantir a segurança dos moradores.