
O americano médio emite hoje cerca de 14,2 toneladas de CO₂ por ano, quase três vezes mais do que a média global, que é de 4,8 toneladas. Esse padrão de consumo e emissão de gases de efeito estufa se mantém há décadas, tornando os Estados Unidos um dos maiores responsáveis pela crise climática histórica.
Para tentar reverter esse cenário, o país retornou ao Acordo de Paris em 2021, durante o governo de Joe Biden, e estabeleceu uma meta ambiciosa de reduzir até 52% de suas emissões até 2030. No entanto, em 2025, sob a administração de Donald Trump, a Casa Branca anunciou a saída do acordo, decisão que deve ter efeito oficial apenas a partir de janeiro de 2026.
Enquanto isso, estados e empresas norte-americanas têm mantido compromissos climáticos de forma independente, investindo em energia limpa, transporte sustentável e redução de emissões.
O recuo do governo federal também se refletiu na diplomacia internacional. Pela primeira vez em três décadas, os EUA ficaram de fora das negociações do clima em Bonn, na Alemanha, aumentando a incerteza sobre sua participação na COP30, marcada para novembro em Belém (PA).

Internamente, o país também vive um cenário turbulento. Só em 2025, mais de 30 políticas ambientais foram desmontadas, incluindo limites de poluição para usinas a carvão, metas de eficiência para veículos e incentivos a carros elétricos.
Esse contraste levou especialistas a definirem o papel dos EUA na crise climática como paradoxal: de um lado, o país tem impacto histórico elevado e é peça-chave no desenvolvimento de tecnologias verdes; de outro, suas políticas e recuos recentes fragilizam a confiança internacional.
A grande questão agora é qual dessas forças prevalecerá nos próximos anos.


