9 de julho de 2026

Executivos da Fast Shop são investigados por envolvimento em esquema bilionário de propina

Executivos da Fast Shop são investigados por envolvimento em esquema bilionário de propina
Executivos da Fast Shop são investigados por envolvimento em esquema bilionário de propina

As apurações sobre fraudes na Secretaria da Fazenda de São Paulo (Sefaz-SP) revelaram que executivos de alto escalão da Fast Shop teriam atuado em um esquema de corrupção com ramificações bilionárias. Documentos obtidos pelo O Globo colocam o diretor estatutário da empresa, Mário Otávio Gomes, no centro das tratativas, em articulação direta com o auditor fiscal Artur Gomes da Silva Neto. As informações são do O Globo.

Um dos principais indícios que sustentam a acusação é o intenso volume de trocas de mensagens entre os dois. Apenas entre 2022 e 2024, foram contabilizadas mais de 200 conversas, além de dezenas de e-mails em momentos decisivos para os processos em análise.

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Veja as fotosAbrir em tela cheia Mario Otávio Gomes diretor da Fast ShopReprodução / LinkedIn Fotos dos itens apreendidos durante a operaçãoReprodução / Globo Dinheiro apreendido durante operação do MPReprodução / Globo Fast Shop se pronunciaReprodução / Freepik

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Segundo os investigadores, Mário tinha a função de representar a varejista nos contatos com a Smart Tax, escritório que intermediava os pagamentos de propina. Em decisão judicial recente, ele aparece ao lado de Artur e de Sidney Oliveira, dono da Ultrafarma, como parte do núcleo duro da operação, todos descritos como pessoas de “elevado poder econômico” e capazes de manipular investigações para destruir provas.

O auditor Artur Neto foi preso no dia 12 de agosto, juntamente com Sidney e Mário. Embora o Ministério Público aponte que a relação entre o servidor e a Fast Shop era a mais antiga descoberta até agora, os dois empresários foram soltos após obterem habeas corpus que suspendeu o pagamento das fianças.

R$ 1 bilhão em cinco anos
A apuração mostra que o esquema se repetia com diferentes empresas, mas o padrão era sempre o mesmo: Artur oferecia “consultoria” desde o envio inicial de documentos até a etapa final, assinando pessoalmente os reembolsos. A estimativa é que o grupo tenha movimentado cerca de R$ 1 bilhão ao longo de cinco anos.

Há registros de que Mário também tratava diretamente com o contador da Smart Tax, Agnaldo de Campos, a quem comunicou, por exemplo, que a Fast Shop havia compensado mais de R$ 8 milhões em tributos.

Para sustentar essa “prestação de serviços”, Artur recebia valores disfarçados como pagamentos de consultoria via Smart Tax, registrada no nome de sua mãe. O crescimento vertiginoso da empresa, de R$ 411 mil em 2021 para R$ 2 bilhões em 2023, foi um dos pontos que levantou suspeitas dos investigadores.

Outro fator considerado grave foi a chamada “inversão de papéis”. Em vez de ser fiscalizada, a varejista entregava notificações oficiais da Delegacia Regional Tributária de Osasco ao próprio auditor, que deveria “resolver” as pendências. Em um dos episódios, Artur repassou documentos a outro servidor, Marcelo de Almeida Gouveia, responsável pela liberação de benefícios fiscais à companhia.

Estrutura organizada dentro da empresa
As investigações também indicam que o esquema não se limitava a contatos isolados, mas estava distribuído em diferentes camadas da hierarquia da Fast Shop. Mário é apontado como “articulador principal”, enquanto outros integrantes da área fiscal davam suporte às operações.

Caroline Camargo Godoy, então coordenadora fiscal, é mencionada como figura de destaque no processo, por ter mantido contato direto com o auditor em reuniões presenciais para tratar de pagamentos ilícitos. Ela era responsável por viabilizar e certificar repasses feitos pela Fast Shop à Smart Tax, o que foi comprovado por registros de mensagens e e-mails trocados desde dezembro de 2024.

A analista fiscal Ellen Franciane Pereira Silva também aparece como interlocutora junto a Artur, enviando arquivos de créditos de ICMS-ST e recebendo comunicados sobre decisões favoráveis. Já o coordenador Felipe Signorelli Reis participava de reuniões virtuais e recebia notificações internas sobre concessões de créditos. A ex-gerente fiscal Juliana Gonzaga Ruzsicska igualmente figurava nas listas de destinatários informados sobre liberações.

Segundo os relatórios, havia divisão clara de funções: “enquanto Mário e Caroline conduziam as negociações e pagamentos, Ellen e Felipe atuavam na parte operacional e no fluxo de informações”.

As trocas de mensagens mostram que as práticas não ficaram no passado: apenas em 2025, foram identificados 65 e-mails entre Mário e Artur.