Após a vitória do Palmeiras por 4 a 1 sobre o Fortaleza, o técnico Abel Ferreira voltou a criticar o calendário do futebol brasileiro e ressaltou a importância do sono na rotina de atletas de alto rendimento. Durante a coletiva, o treinador afirmou que os jogadores chegam ao CT sem descanso adequado e questionou os efeitos disso sobre a performance.
“Se não sabem, vou dizer: nós chegamos no CT para tomar o café da manhã às 7h, sem sequer dormir. Qual é o impacto que isso vai ter? Não sei. Falem com os especialistas, entendam o impacto que tem uma noite mal dormida no rendimento e performance física de um atleta de alta competição, não só para os que jogaram mas também para os que não jogaram. Se imaginarem o impacto que tem nos que jogaram, temos de fazer gestão de energia para jogar aqui na máxima força”, constatou.
Veja as fotosAbrir em tela cheia Abel Ferreira na coletiva após derrota do Palmeiras por 1 a 0 sobre o CorinthiansReprodução/x: @mmurilodias Neymar cai no gramado e pede substituição / ReproduçãoNeymar cai no gramado e pede substituição / Reprodução Gol de Paulinho selou a classificação rumo às quartas de final do Mundial.Reprodução/Instagram: @palmeiras
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Especialistas reforçam alerta sobre privação de sono
Especialistas em saúde e medicina esportiva confirmam que o treinador tem razão, tanto pelas questões físicas quanto como prevenção de lesões.
Cynthia Gobbi, fisioterapeuta e especialista pela Sociedade Nacional de Fisioterapia Esportiva e da Atividade Física (Sonafe Brasil), explicou: “O sono é fundamental para a recuperação física, cognitiva e emocional do atleta. A privação parcial ou total do sono está associada a alterações fisiológicas como o aumento de lactato, marcadores inflamatórios (PCR, CK), redução da imunidade e maior tempo de recuperação muscular, além de desequilíbrio autonômico como o aumento da atividade simpática e redução da parassimpática, o que favorece fadiga, estresse e dor aumentada”.
Ela ainda acrescentou que os sintomas incluem sonolência diurna, fadiga, irritabilidade, déficit de atenção e memória, alterações de humor, ansiedade e maior percepção de dor. Gobbi cita estudos que mostram que até 64% dos atletas de elite relatam insônia e 51% apresentam sonolência excessiva.
“Os fatores psicossociais e ambientais influenciam diretamente a qualidade do sono. Viagens frequentes (jet lag, fusos horários), horários de treino inadequados (muito cedo ou tarde da noite), estresse competitivo, perfeccionismo e ansiedade estão fortemente associados à insônia e aos distúrbios do sono em atletas”, conclui.
Consequências para performance e risco de lesões
A Dra. Carla Tavares, especialista em medicina do esporte e Head de Medicina da Volt Sports Science, explicou que a privação de sono afeta funções fundamentais, como risco de lesões e recuperação muscular.
“Quando o atleta dorme menos tempo ou tem a qualidade do sono pior do que ele necessita, podem surgir impactos importantes para performance. Existem estudos demonstrando que jogadores que dormem menos de oito horas por noite podem ter até 1,7 vezes mais risco de lesão quando comparados aos que dormem mais de oito horas por noite. Além disso, a privação crônica de sono pode piorar a função cognitiva, impactar negativamente na capacidade aeróbica, reduzir a memória, gerar déficit de atenção, piora do tempo de reação e ainda pode gerar desequilíbrio na produção hormonal, dificultar a recuperação muscular e o ganho de massa muscular”, pontua.
Logística brasileira como fator agravante
Thiago Freitas, COO da Roc Nation Sports no Brasil, ressaltou que o calendário nacional e as longas viagens complicam ainda mais a rotina dos atletas.
“Assumindo que somos um país continental, e que temos 18 dos 20 clubes mais relevantes do continente, é razoável dizer que nossos clubes disputam, além da competição continental organizada pela Conmebol, um campeonato nacional com quase 40 jogos, mas que exige deslocamentos como os da Champions League, e com o agravo de que temos todo esse volume de jogos e deslocamentos distribuídos em três meses menos do que seria possível, por conta dos nossos estaduais. Jogos a cada três dias em países cujas dimensões são equivalentes a dos nossos estados geram um desgaste acumulado muito menor do que o de uma rotina de viagens como as que fazemos do Ceará ao Rio Grande do Sul, ou mesmo de Salvador a Cuiabá”, afirmou.
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