Início / Versão completa
Geral

Ofensivas de Trump levam Putin a fortalecer alianças na Eurásia

Por Metrópoles 08/09/2025 00:27
Publicidade

A recente maratona diplomática do presidente da Rússia, Vladimir Putin, vai muito além de um gesto protocolar ao Ocidente. O recado tem endereço certo: a Casa Branca, em Washington, sob Donald Trump. As ofensivas do republicano para forçar um cessar-fogo na Ucrânia obrigam o líder do Kremlin a remodelar o tabuleiro geopolítico, fortalecendo alianças com países da Eurásia e do Sul Global, como China, Coreia do Norte e Índia.

Publicidade

Enquanto Volodymyr Zelensky conta com o apoio de Trump e de líderes europeus, Putin busca reforçar o respaldo de seus aliados.

No fim de agosto, Putin desembarcou na China e encerrou, em 3 de setembro, uma série de encontros bilaterais com Xi Jinping e Kim Jong-un. O gesto foi visto como demonstração de força simbólica de uma frente alternativa à influência dos Estados Unidos e da Europa.

A visita começou em Tianjin, durante uma cúpula regional extraordinária que reuniu líderes de uma dúzia de países do Sul Global. O Kremlin destacou que não pretende pautar seus movimentos pela ótica do Ocidente. Segundo o porta-voz Dmitry Peskov, Moscou deve abandonar a “abordagem pejorativa” de medir cada gesto pela reação externa.

Publicidade
Leia também

Reforço de laços

Além de Xi e Kim, Putin se reuniu com o premiê da Índia, Narendra Modi, o presidente turco Recep Tayyip Erdogan e outros 15 chefes de Estado e governo, assinando mais de 20 acordos com Pequim. As áreas vão de energia e ciência até inteligência artificial e fornecimento de gás.

Xi chamou o russo de “amigo querido” e afirmou que as relações bilaterais estão no “patamar mais alto da história”. Putin, por sua vez, declarou que a parceria com a China é parte do caminho para um “mundo multipolar mais justo”.

No mesmo evento, Xi Jinping lançou a Iniciativa de Governança Global (IGG), apresentada como embrião de uma nova ordem mundial. O líder chinês advertiu que o sistema internacional segue “ameaçado pela mentalidade da Guerra Fria, o hegemonismo e o protecionismo”.

Especialistas ouvidos pelo Metrópoles, avaliam que o encontro demonstra um avanço da Rússia em direção a uma alternativa ao eixo ocidental, mas escancaram uma certa fragilidade de Moscou.

Na visão da advogada internacionalista Hannah Gomes, o Kremlin parece querer fortalecer seus laços políticos com as potências.

“Esse encontro multilateral pode ser visto como um avanço na busca russa em fortalecer uma alternativa ao eixo ocidental. A presença de Xi Jinping e Kim Jong-un simboliza a solidificação de laços comerciais, políticos e, potencialmente, militares na Eurásia. A pressão das sanções empurra a Rússia para uma cooperação mais estreita com países que também se sentem ameaçados ordem liderada pelos EUA.”

Índia na equação

Apesar das tarifas de até 50% impostas por Trump contra Nova Délhi, o premiê Narendra Modi apareceu em público ao lado de Xi e Putin, em clima de cordialidade.

Para o Kremlin, a recusa da Índia em suspender a compra de petróleo russo foi recebida como sinal de independência em relação à pressão ocidental.

Desfile militar na China

Kim Jong-un e  “frente simbólica”

O encontro com Putin com Kim Jong-un, da Coreia do Norte, rendeu promessas de apoio à Rússia na guerra e reforçou a percepção de um novo eixo geopolítico.

Na sexta-feira (5/9), Kim reafirmou: “Apoiaremos integralmente o governo e o exército russo em sua luta para defender a soberania do Estado, a integridade territorial e os interesses de segurança. Permaneceremos fiéis ao tratado entre a República Popular Democrática da Coreia”.

6 imagensFechar modal.1 de 6

Putin Kim

Contributor/Getty Images2 de 6

Contributor/Getty Images3 de 6

Putin ao lado de Xi e Kim

Sergey Bobylev / RIA Novosti/Anadolu via Getty Images4 de 6

O primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi (D), caminha ao lado do presidente da Rússia, Vladimir Putin, durante a Cúpula da Organização para Cooperação de Xangai (OCX)

Suo Takekuma – Pool/Getty Images5 de 6

Sergey Bobylev / RIA Novosti/Anadolu via Getty Images6 de 6

Putin e Trump no Alasca em agosto de 2025

Andrew Harnik/Getty Images

Reação dos EUA e da Europa

Donald Trump reagiu com ironia nas redes sociais. Na Truth Social, acusou Xi, Putin e Kim de “conspirarem contra os Estados Unidos” e afirmou ter “perdido a Rússia e a Índia para a China”.

Washington intensificou a pressão por sanções energéticas contra Moscou, defendendo que a União Europeia e outros aliados reduzam as compras de petróleo e gás russos.

Na Europa, a chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, considerou o encontro entre os três líderes um “desafio direto à ordem internacional” e “um sinal antiocidental”.

O professor Gustavo Menon, da UCB e da American Global Tech University, ressalta que a movimentação expõe a construção de blocos paralelos.

O encontro evidenciou a formação de um bloco entre Rússia, China e Coreia do Norte, contrapondo-se ao imperialismo ocidental. Esse jogo diplomático reflete as complexas alianças em curso, com a Rússia tentando se apoiar no Oriente para enfrentar pressões.”

Já o advogado internacionalista Julian Rodrigues Dias vê fragilidade na postura de Moscou:

“A cena de Putin ao lado de Xi e Kim foi apresentada como demonstração de força, mas deixa transparecer fragilidade. Moscou precisa de Pequim para manter a economia respirando e busca em Pyongyang apenas um reforço de retórica”.

Recomendado
Publicidade
Ver matéria completa no site
Página AMP gerada pelo Tupa AMP Pro com componentes válidos para AMP. Scripts comuns do tema são bloqueados nesta versão para reduzir erros de validação.