Início / Versão completa
Geral

Onde se lê “Projeto de lei da dosimetria”, leia-se: anistia ao golpe

Por Metrópoles 19/09/2025 04:27
Publicidade

“Projeto de lei da dosimetria”. É o nome fantasia que esconde a proposta de anistia para Bolsonaro e os demais golpistas. A arraia miúda que não quis acordo com a Justiça e está presa, poderá ser libertada. E diminuida a pena de Bolsonaro e dos tubarões do golpe. A isso chamam de dosimetria. Não se deixem enganar.

Publicidade

“É um projeto meio termo”, define o deputado Paulinho da Força (SOLIDARIEDADE-SP), indicado para relatá-lo pelo minúsculo presidente da Câmara, Huguinho Motta (REPUBLICANOS-PB). “Nosso objetivo é pacificar o país”. Não se pacifica passando a mão na cabeça de criminosos. Estimula-se novos golpes.

Que credenciais tem Paulinho da Força para relatar um projeto de tamanha envergadura, capaz de desatar uma grave crise institucional? Ele mesmo responde: é deputado há mais de 20 anos, já apoiou governos de direita e de esquerda, e se diz aliado do ministro Alexandre de Moraes, relator do processo do golpe.

Antes de dar início às conversas com as partes interessadas, Paulinho aprontou uma espécie de esboço do relatório a ser apresentado na próxima semana para votação imediata. Naturalmente, seu conteúdo é secreto. Como tudo hoje é na Câmara até ser revelado em cima da hora e contestado em seguida.

Publicidade

Deputados da extrema-direita já avisaram a Paulinho que discordam de qualquer projeto que não perdoe totalmente os condenados pelos ataques golpistas de 8 de Janeiro e o ex-presidente, algo que o relator classificou como “impossível” em diversas entrevistas concedidas na quinta-feira (18).

O PL de Bolsonaro adianta que irá propor no plenário uma emenda para que a anistia ampla, geral e irrestrita seja decidida no voto. Confia nos 311 votos a favor do regime de urgência para votação obtidos nesta semana, e defende que essa seria a vontade da maioria da Câmara. Os partidos de esquerda votarão contra.

O Centrão, aglomerado de partidos de direita que muitas vezes se junta à extrema-direita, ainda não decidiu se desta vez voltará a se juntar. Não quer fechar a porta à negociação com o governo, dono do calendário da liberação do pagamento de emendas ao Orçamento. A liberação privilegia quem vota como o governo quer.

Por sua vez, o governo imagina contar com a maioria dos senadores para barrar qualquer decisão absurda tomada pela Câmara. Sabe de antemão que o Supremo Tribunal Federal se opõe a medidas favoráveis ao “núcleo crucial” do golpe – Bolsonaro e mais sete maus elementos. No Supremo deposita suas esperanças.

Mas não só. Também na indignação da maioria dos brasileiros com o golpe, a anistia e a emenda à Constituição recém-aprovada pela Câmara que os torna cidadãos de segunda classe. De primeira, por enquanto, só os deputados que legislam em causa própria. A tal emenda dá-se o nome de PEC da Bandidagem.

Indignados, às ruas!

 

Todas as Colunas do Blog do Noblat no Metrópoles

Recomendado
Publicidade
Ver matéria completa no site
Página AMP gerada pelo Tupa AMP Pro com componentes válidos para AMP. Scripts comuns do tema são bloqueados nesta versão para reduzir erros de validação.