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Ataques e profecias: como o tarô guia russos e ucranianos na guerra

Por Metrópoles 31/10/2025 17:27
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Desde o início do conflito entre Rússia e Ucrânia, muitos ucranianos e russos têm buscado respostas sobre o enclave em um método inusitado: as cartas de tarô. Em Moscou e Kiev, leitores de tarô relatam aumento significativo de consultas relacionadas a ataques, segurança de familiares e futuro das cidades sob ameaça constante de bombardeios.

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Segundo uma pesquisa do Instituto Internacional de Sociologia de Kiev (KIIS), cerca de 43% dos ucranianos acreditam em práticas esotéricas, incluindo tarô, mediunidade e videntes.

Entre mulheres, a adesão é maior, atingindo 49%, enquanto entre homens o índice é de 36%. Para muitos, as cartas oferecem uma forma de autorreflexão e um guia simbólico diante do imprevisível.

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Historicamente, práticas esotéricas e o tarô têm raízes profundas na região. Na União Soviética (URSS), o ocultismo era marginalizado, mas redes clandestinas de publicação, chamadas “samizdat”, permitiram que livros e baralhos circulassem discretamente, trazendo a tradição para gerações futuras.

Hoje, o interesse ressurgiu de forma ampliada, impulsionado pelas redes sociais e pela crise provocada pelo conflito.

Na Rússia, fenômeno semelhante ocorre desde 2022. Leitores de tarô como Anton Suvorkin e Anzhelika Akulenko viraram estrelas das redes sociais, analisando consequências da guerra e do futuro político do país.

As vendas de cartas de tarô no país aumentaram sete vezes nos últimos quatro anos, alcançando cerca de 2 bilhões de rublos em 2024 (aproximadamente US$ 20 milhões), segundo levantamento da Forbes.

Ainda assim, leitores experientes mantêm limites éticos. Alguns tarólogos se recusam a fazer previsões sobre mobilização militar ou estratégias de combate, e alertam que qualquer decisão final deve ser tomada pelo próprio indivíduo.

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Inúmeras interpretações

As leituras também refletem narrativas políticas. Muitos tarólogos russos interpretam cartas para reforçar a ideia de que a Ucrânia não vencerá o conflito e que a Rússia, sob a liderança de Vladimir Putin, prevalecerá.

Em paralelo, eles apontam os Estados Unidos, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e a União Europeia (UE) como “inimigos” do Kremlin, tentando enfraquecer o país através da Ucrânia.

Enquanto isso, na Ucrânia, o tarô parece ter uma função mais simbólica e pessoal.

“As cartas nos ajudam a lidar com o medo e a incerteza”, afirmou a taróloga Fania, ao portal ucraniano Kyiv Independent. “Elas não dizem a data exata de um ataque ou o fim da guerra, mas indicam caminhos e possibilidades, ajudando as pessoas a se prepararem emocionalmente.”

O aumento das consultas também reflete o impacto psicológico da guerra prolongada. Muitos cidadãos recorrem ao tarô para enfrentar a insegurança diária, o desaparecimento de familiares e o risco constante de bombardeios.

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