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Cientistas americanos encontram chumbo em suplementos de proteína

Cientistas americanos encontram chumbo em suplementos de proteína

Uma nova pesquisa conduzida pela Consumer Reports (CR), organização norte-americana sem fins lucrativos que realiza testes independentes de produtos, encontrou níveis preocupantes de chumbo em suplementos proteicos nos Estados Unidos. Os resultados podem indicar um risco oculto devido à contaminação pelo metal pesado, que se acumula no corpo com o tempo, podendo levar a problemas de saúde a longo prazo.

O estudo

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Para os cientistas, ainda não há necessidade de pânico, mas eles advertem sobre a frequência com que a população consome proteínas em pó. Os níveis de chumbo encontrados não são altos o suficiente para causar doenças imediatas por intoxicação por metais pesados, contudo, o uso diário pode colocar a saúde em risco a longo prazo, devido ao acúmulo da substância no corpo ao longo do tempo.

Segundo a Consumer Reports (CR), o nível de preocupação corresponde a 0,5 microgramas por dia. Já a Food and Drug Administration (FDA), agência federal encarregada de proteger a saúde pública em relação a alimentos e medicamentos nos EUA, considera 8,8 microgramas por dia para mulheres em idade fértil. Qualquer quantidade acima desse nível é “potencialmente preocupante”.

Mãos de mulher preparando bebida com Whey Protein - MetrópolesUma nova pesquisa encontrou níveis preocupantes de chumbo em suplementos proteicos nos Estados Unidos

É importante ressaltar que um adulto norte-americano médio já ingere cerca de 5 microgramas de chumbo por dia, provenientes de quantidades naturalmente encontradas nos alimentos.

De acordo com a pesquisa, apenas uma porção do Mass Gainer da Naked Nutrition continha 7,7 microgramas de chumbo e o Huel Black Edition continha 6,3 microgramas de chumbo.

A análise feita pela CR se trata de uma segunda grande investigação em menos de um ano para identificar metais pesados ​​em suplementos proteicos. Um estudo anterior conduzido pelo Clean Label Project, organização sem fins lucrativos dedicada à rotulagem transparente de alimentos, constatou que quase metade dos mais de 150 suplementos proteicos em pó testados excediam os limites de segurança da Califórnia para metais pesados.

À coluna, o médico pós-graduado em nutrologia Gabriel Resende explica que o chumbo é um metal cumulativo, ou seja, o corpo não o elimina facilmente — ele se acumula em tecidos como ossos, rins e cérebro. “Assim, pequenas exposições repetidas podem resultar em toxicidade crônica após meses ou anos, especialmente em pessoas que consomem diariamente grandes quantidades de suplementos proteicos”, afirma.

Os pesquisadores examinaram 23 produtos fabricados à base de laticínios, carne bovina e vegetais

“A exposição prolongada pode gerar alterações cognitivas, fadiga, anemia, infertilidade e disfunções hormonais, além de impactar rins e sistema nervoso central. Portanto, ainda que o consumo pontual não cause intoxicação aguda, o risco cumulativo é relevante”, frisa o profissional.

Marcas examinadas

Os investigadores classificaram os produtos de acordo com a quantidade de chumbo encontrada no pó ou no shake e fizeram as seguintes recomendações:

Evite completamente:

Limite a uma vez por semana:

Pode ser usado ocasionalmente:

Melhores opções diárias (abaixo do nível de preocupação):

Cientistas americanos encontram chumbo em suplementos de proteína

Na concepção de Gabriel Resende, a pesquisa é extremamente relevante e merece atenção. “A Consumer Reports é uma instituição reconhecida por sua independência e rigor metodológico, e já conduziu estudos semelhantes sobre contaminantes em alimentos infantis e suplementos”, argumenta.

“Embora o relatório não indique risco imediato, o achado de níveis acima do ‘nível de preocupação’ diário em produtos amplamente utilizados é um sinal de alerta importante. Além disso, os resultados mostram uma tendência consistente: produtos à base de plantas apresentaram maior contaminação, provavelmente devido à absorção de metais pesados do solo durante o cultivo. Isso reforça a necessidade de maior controle de qualidade e transparência na cadeia de produção”, evidencia o especialista em medicina esportiva.

Há riscos para o Brasil?

Para o médico, é perfeitamente possível que ocorra o mesmo cenário no Brasil. “A contaminação por metais pesados não depende apenas do país de fabricação, mas da origem das matérias-primas (soja, ervilha, arroz, cacau, etc.) e da qualidade do controle sanitário aplicado pelas empresas”, diz ele.

“Como muitos suplementos importam ingredientes vegetais de diferentes países — especialmente da Ásia e América do Norte —, existe o risco de traços de metais pesados também estarem presentes em produtos vendidos no Brasil”, destaca Gabriel.

No entanto, a ANVISA exige certificação e controle de contaminantes, o que pode reduzir esse risco em marcas nacionais regulamentadas. Mesmo assim, segundo o profissional, a fiscalização ainda é limitada, e a variabilidade entre lotes é possível. “Por isso, a recomendação é optar sempre por marcas com certificação laboratorial independente”, sugere.

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