12 de julho de 2026

Em Tarauacá, detentos transformam artesanato em oportunidade de recomeço

Em Tarauacá, detentos transformam artesanato em oportunidade de recomeço
Detento tece uma rede dentro de uma cela no presídio de Tarauacá. Foto: Zayra amorim/Iapen
Detento tece uma rede dentro de uma cela no presídio de Tarauacá. Foto: Zayra amorim/Iapen

Talento, dedicação e criatividade. Para quem desenvolve as técnicas do tear e do crochê, a precisão não é apenas um detalhe, mas uma das principais habilidades para exercer as artes. As mãos ágeis e precisas seguram as ferramentas com firmeza. Num enlaçar da linha nasce o ponto, onde também renasce a vida.

“Por meio disso aqui eu refleti mais, abri mais minha mente, e me fez pensar em alguma coisa melhor lá fora”. A afirmação foi feita pelo detento C. C. A, que cumpre pena na Unidade Penitenciária Moacir Prado, em Tarauacá, e lá aprendeu a trabalhar com as artes.

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Ele conta que o trabalho o tem ajudado em vários aspectos. “Isso aqui pra mim é uma terapia, porque ocupa mais meu tempo, tira meu foco de outras coisas, porque a gente se deprime de estar numa cela, só puxando cadeia, e aqui de dentro, com o crochê, eu também consigo ajudar minha mãe, porque ela passa muita dificuldade lá fora. Eu já tô com três anos fazendo esse trabalho e é difícil a gente passar um dia sem fazer”, disse o detento orgulhoso ao mostrar as peças.

Presidente do Iapen diz que o trabalho é umas das principais vias de ressocialização. Foto: Zayra Amorim/Iapen

O presidente do Iapen, Marcos Frank Costa, viu de perto cada peça de arte feita pelos detentos. Brinquedos, redes, tapetes e enfeites. Ele disse que as peças são muito bem feitas e que acredita que o trabalho é uma das principais vias de transformação dentro do Sistema Penitenciário. “Iniciativas como essa são a prova do compromisso do governo do Estado com a sociedade. O nosso objetivo não é somente manter a pessoa presa, mas dar a ela condições de mudança e, para isso, a gente precisa proporcionar a ela oportunidades, e é o que vemos aqui”.

Detentos criam várias peças com diferentes linhas e agulhas. Foto: Zayra Amorim/Iapen

José de Jesus Viana, diretor do presídio, disse que o Instituto de Administração Penitenciária (Iapen), se preocupa em direcionar o preso para uma vida após o cumprimento de sua pena. “A gente trabalha com essa preocupação porque o detento perde a sua liberdade, mas não perde a sua dignidade. Então, a gente tem trabalhado muito em prol da ressocialização do apenado”.

Detentos conseguem ajudar a família com renda adquirida na venda das peças. Foto: Zayra Amorim/Iapen

O diretor conta, ainda, que na unidade são desenvolvidas várias atividades voltadas para a remição de pena. “Nós temos tanto o artesanato, quanto posto de lavagem, onde o preso recebe uma porcentagem do que produz para ajudar a família. Além disso, temos a sala de aula, o setor de produção de hortifrúti. Então, aquele apenado que quer realmente voltar a integrar a sociedade tem oportunidade”, afirmou José de Jesus.

O detento C. C. A. reconhece a oportunidade que está recebendo e agradece. “Eu sei que é um boa oportunidade que eu recebi e que vai servir pra mim quando eu sair daqui também. Eu agradeço muito por isso”, finalizou o privado de liberdade.

Via Secom