9 de julho de 2026

Fumando maconha, Bove apontava arma para Cíntia como “brincadeira”, diz MPSP

Fumando maconha, Bove apontava arma para Cíntia como “brincadeira”, diz MPSP
Fumando maconha, Bove apontava arma para Cíntia como “brincadeira”, diz MPSP

O deputado estadual Lucas Bove (PL) tinha o hábito de fumar maconha e manusear a própria arma de fogo  apontando como “brincadeira” para a então esposa, a influenciadora Cíntia Chagas, diz a denúncia do Ministério Público de São Paulo (MPSP) oferecida à Justiça nesta quinta (23/10). A promotoria classificou o ato como uma “intimidação ostensiva”.

Em uma ocasião específica, em julho de 2024, Bove teria fumado maconha e apertado o mamilo de Cíntia enquanto eles estavam na presença de uma amiga dela – o que ele fazia frequentemente, de acordo com a denúncia obtida pelo Metrópoles.

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O parlamentar chegou a passar a mão debaixo da roupa da então esposa, naquele episódio, dizendo para a outra mulher presente: “Olha o que eu faço com sua amiga”. A situação teria deixado as duas constrangidas.

7 imagensCíntia Chagas prestou queixa contra o deputadoCíntia Chagas é influencer e professora de portuguêsCíntia Chagas teria proposto a multa de R$ 1 milhão para quebra da confidencialidadeA defesa de Cíntia Chagas pediu a prisão de Lucas Bove na sexta-feira (18/10)Antes de casar com o deputado estadual Lucas Bove (PL-SP), esteve em um relacionamento com o psicólogo e empresário Luiz Fernando GarciaFechar modal.1 de 7

Cintia Chagas

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Cíntia Chagas prestou queixa contra o deputado

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Cíntia Chagas é influencer e professora de português

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Cíntia Chagas teria proposto a multa de R$ 1 milhão para quebra da confidencialidade

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A defesa de Cíntia Chagas pediu a prisão de Lucas Bove na sexta-feira (18/10)

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Antes de casar com o deputado estadual Lucas Bove (PL-SP), esteve em um relacionamento com o psicólogo e empresário Luiz Fernando Garcia

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A influencer e o deputado estadual de SP anunciaram a separação poucos meses depois do casamento

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MPSP pede prisão preventiva de Bove

O MPSP denunciou Bove por violência psicológica, perseguição, ameaça e lesão corporal e pediu a prisão preventiva do parlamentar. Cíntia o acusou de agressão pela primeira vez em setembro do ano passado, durante a separação do casal.

Na época, ela registrou um boletim de ocorrência e entrou com um pedido de medida protetiva, que foi acatado pela Justiça. Desde então, Bove ficou proibido de manter contato, se aproximar e frequentar lugares em que a ex-esposa esteja.

No entanto, o parlamentar teria um padrão “reiterado” de desrespeitar a medida protetiva, como destacou a promotora Fernanda Raspantini Pellegrino na denúncia.

“Há aproximadamente um ano, o denunciado vem ignorando as determinações do Sistema de Justiça (que já o intimou e o advertiu, pessoalmente e por meio de seus advogados constituídos), de modo que o autor possui a devida ciência acerca da necessidade de respeitar as medidas protetivas, porém, ele não o faz por acreditar que não será responsabilizado pelas consequências de seus atos, tendo em vista que age como se não houvesse decisão judicial a cumprir”, afirmou a promotoria.

Pellegrino destacou que Bove fez “publicações expressas ao nome da vítima e menções acerca da existência e conteúdo do processo” ignorando, “por completo”, a vigência das protetivas.

Histórico de agressões

  • De acordo com a denúncia obtida pelo Metrópoles, Bove é acusado de agressões físicas, violência psicológica, perseguição e ameaças, além de um padrão reiterado de descumprimento de medidas protetivas após a separação.
  • Ele teria cometido violência física ao menos três vezes, entre agosto de 2022 e julho de 2024, geralmente com apertões, causando hematomas, lesões e humilhações públicas.
  • Dentre os apertões, o parlamentar tinha o hábito de apertar os mamilos da então esposa em público, deixando-a constrangida.
  • No mesmo período, Bove tinha o hábito de apontar sua arma de fogo para Cíntia, como “brincadeira”, enquanto fumava maconha, diz a denúncia.
  • Em um momento, ele chegou a jogar uma faca na perna da mulher, e a ameaçou de morte, dizendo que o segurança dele esconderia o corpo.
  • Em outro, a ameaçou de agressão, com punho cerrado, e disse: “Você só não vai apanhar agora porque tem 6 milhões de seguidores”.
  • Ele também teria cometido violência psicológica contra a vítima, entre agosto de 2022 e julho de 2024, por meio de constrangimento, humilhação, isolamento e ridicularização.
  • Segundo os relatos de Cíntia, Bove tinha ciúmes excessivo e desconfiança, e chegou a fazer com que ela apagasse campanhas publicitárias por achar as imagens inadequadas.
  • Ele também pedia prints e comprovantes para ter certeza de onde ela estava e se estava acompanhada.
  • As insinuações de que ela estaria tendo um caso fizeram com que Cíntia cortasse relações com uma empresária e dispensasse seu cabeleireiro.
  • Após a separação, em agosto do ano passado, Bove passou a ameaçá-la de morte, inclusive para amigas dela, e a perseguir a influenciadora.
  • Ele teria utilizado advogados e a própria equipe para entrar em contato com Cíntia, e usado números de telefone da Alesp para ligar para ela após ter sido bloqueado.
  • As agressões e violência psicológica causaram dano psicológico à mulher, que passou a usar antidepressivos, sofreu queda de cabelo e desenvolveu Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT). Ela também passou a utilizar veículo blindado por medo.

Processos e medidas protetivas

Logo após a separação, em setembro, Cíntia registrou um boletim de ocorrência contra Bove e entrou com um pedido de medida protetiva, que foi acatado pela Justiça. Ele ficou proibido de manter contato, se aproximar e frequentar lugares em que ela esteja. As cautelares permanecem vigentes e o divórcio foi oficializado em 14 de setembro.

Em setembro deste ano, ele foi indiciado por ameaça e violência psicológica. E, nesta quinta, o MPSP o denunciou por violência psicológica, perseguição, ameaça e lesão corporal. Além disso, há uma ação penal instaurada por descumprimento de medidas protetivas. O órgão ministerial pede à Justiça a prisão preventiva do parlamentar.

O que dizem as partes

Em nota, a defesa de Cíntia afirmou que a denúncia oferecida pelo MPSP “representa um marco importante para as mulheres na busca pela verdade, pela responsabilização e pela dignidade da vítima”.

Segundo a advogada Gabriela Manssur, a denúncia formal reafirma o que “sempre sustentaram”: “Que não há espaço para o abuso, para a impunidade e para o uso do poder como instrumento de opressão”.

Em publicação nas redes sociais após a repercussão do pedido de prisão preventiva, Bove afirmou que o requerimento ocorreu após ele “responder uma pergunta sobre fatos que já eram públicos e que foram vazados”. Ele acrescentou que a Delegacia da Mulher “afastou totalmente as acusações de violência física”, o indiciando por violência psicológica.

O parlamentar afirmou que um laudo que atesta a ausência de dano psicológico na vítima foi ignorado pela delegacia. Ele lembrou ainda que a Cíntia falou publicamente à imprensa nessa quarta (22/10) sobre o episódio em que ele lhe atirou uma faca. “Segredo de Justiça com uma cautelar que me proíbe também de falar! E nada acontece…”, afirmou Bove.