Início / Versão completa
Geral

Guerra em Gaza fragiliza economia israelense

Por Metrópoles 07/10/2025 03:27
Publicidade

Por anos, o Estado de Israel foi celebrado como o “país das startups” e referência global em inovação tecnológica. Entretanto, os dois anos de guerra contra o movimento islamista palestino Hamas na Faixa de Gaza, em retaliação ao ataque de 7 de outubro de 2023, criaram uma fase de turbulência na economia israelense, tensões com o Irã e o afastamento de parceiros históricos. A retração do crescimento, a saída de profissionais qualificados e o isolamento diplomático colocam em xeque um modelo antes considerado exemplar.

Publicidade

Israel abriga grandes empresas de tecnologia, exporta softwares, equipamentos médicos e soluções de cibersegurança. No entanto, desde o início do conflito com o Hamas, os indicadores econômicos vêm piorando. No último trimestre, o PIB israelense caiu significativamente, o consumo das famílias recuou, os investimentos privados diminuíram e a produção desacelerou.

Leia também

As projeções para 2025 são pouco animadoras: crescimento de apenas 1%, após 0,9% em 2024 – bem distante dos 6,5% registrados em 2022. A inflação gira em torno de 3% e o déficit fiscal aumentou. Para conter a desvalorização do shekel – a moeda local –, o Banco Central precisou injetar mais de US$ 30 bilhões no mercado cambial.

Além disso, cerca de 170 mil pessoas deixaram o país desde 2023, muitas delas jovens com ensino superior, o que agrava a sensação de instabilidade e compromete a força de trabalho qualificada.

Investidores se afastam e parcerias internacionais são revistas

A fragilidade econômica vem acompanhada de uma perda de confiança por parte de parceiros estrangeiros. O investimento direto externo caiu, financiamentos internacionais foram congelados e contratos importantes estão sendo revistos. A União Europeia, principal parceiro comercial de Israel, cogita reduzir colaborações estratégicas – um sinal preocupante para uma economia fortemente dependente do comércio com o bloco.

O fundo soberano da Noruega, por exemplo, se desfez de ações em empresas israelenses do setor de defesa. Nos Estados Unidos, gigantes como a Microsoft estão reavaliando sua presença no país, pressionados pela opinião pública. Até aliados tradicionais, como a Colômbia, buscam alternativas: Bogotá apresentou recentemente seu primeiro fuzil de assalto produzido localmente, após encerrar compras de armamentos israelenses.

Esses movimentos criam um efeito dominó: a perda de apoio político, capital estrangeiro e mercados estratégicos enfraquece o crescimento israelense e ameaça sua posição internacional.

Impacto direto na vida dos israelenses

O isolamento também afeta o cotidiano da população. O custo de vida continua alto e há risco de aumento de impostos para cobrir gastos militares e o rombo fiscal. A queda na atratividade econômica e a saída de talentos podem levar ao fechamento de empresas e ao crescimento do desemprego.

Israel ainda possui vantagens competitivas – como expertise tecnológica e uma economia diversificada –, mas seu futuro depende cada vez mais das decisões políticas e diplomáticas de seus líderes. Reconquistar a confiança internacional será essencial para evitar que o atual isolamento comprometa de forma duradoura o modelo econômico do país.

Leia mais em RFI, parceira do Metrópoles.

Recomendado
Publicidade
Ver matéria completa no site
Página AMP gerada pelo Tupa AMP Pro com componentes válidos para AMP. Scripts comuns do tema são bloqueados nesta versão para reduzir erros de validação.