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OMS revela que um em cada cinco adultos é dependente do tabaco

Por Metrópoles 07/10/2025 11:27
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O novo relatório global da Organização Mundial da Saúde (OMS) revelou, nessa segunda-feira (7/10), que o mundo está a fumar menos, mas o tabaco ainda mantém presença preocupante na vida de milhões de pessoas.

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Segundo o relatório, o número de pessoas que usam tabaco caiu de 1,38 bilhão, em 2000, para 1,2 bilhão, em 2024, uma redução relativa de 27% desde 2010. Ainda assim, um em cada cinco adultos continua dependente do produto, perpetuando uma das principais causas de morte evitável do planeta.

Novos produtos de nicotina

O diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, destacou que “milhões de pessoas estão a deixar de usar tabaco graças aos esforços globais para controlar o problema”, mas alertou que a indústria está a reagir de forma agressiva.

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Ghebreyesus  disse que existe uma luta para reverter os avanços com novos produtos de nicotina, direcionando-se especialmente aos jovens, e que “os governos devem agir mais rápido e com mais firmeza”.

Dados de fumadores cigarros eletrónicos

Pela primeira vez, a OMS estimou o número global de pessoas que usam cigarros eletrônicos ultrapassou 100 milhões em todo o mundo. Destes, cerca de 86 milhões são adultos, concentrados em países de rendimentos elevados, e 15 milhões são adolescentes entre os 13 e 15 anos. Em países com dados disponíveis, os jovens têm nove vezes mais probabilidade de usar esses cigarros do que os adultos.

Segundo Etienne Krug, diretor do Departamento de Promoção da Saúde e Prevenção da OMS, “os cigarros eletrónicos estão a alimentar uma nova onda de dependência da nicotina”. Segundo ele, embora sejam frequentemente apresentados como uma alternativa menos prejudicial, “na realidade, estão a prender crianças e adolescentes ao vício desde cedo e a ameaçar décadas de avanços”.

Mulheres lideram a redução do consumo

O relatório mostra que tanto homens como mulheres reduziram o consumo de tabaco entre 2000 e 2024, mas as mulheres estão na vanguarda da mudança. Atingiram a meta global de redução de 30% para 2025 cinco anos antes do previsto, em 2020. A prevalência entre mulheres caiu de 11% em 2010 para 6,6% em 2024, com o número de usuárias descendo de 277 para 206 milhões.

Entre os homens, o progresso é mais lento. Apesar de uma queda de 41,4% para 32,5% no mesmo período, quase mil milhões de homens continuam a usar produtos de tabaco, o que representa mais de 80% do total global. A OMS prevê que os homens só alcancem a meta de redução em 2031, três anos após o prazo estabelecido.

Diferenças regionais

O retrato global revela contrastes marcantes entre as regiões. No Sudeste Asiático, a prevalência entre os homens caiu quase pela metade desde 2000, sendo responsável por mais de metade da redução mundial. A África tem agora a menor taxa global, 9,5%, mas o número absoluto de quem fuma cresce devido ao aumento populacional.

Nas Américas, a prevalência caiu para 14%, enquanto na Europa permanece a mais alta do mundo, com 24,1% de adultos a usar tabaco, e as mulheres europeias a liderar o consumo feminino global, com 17,4%. No Mediterrâneo Oriental, o uso de tabaco continua a aumentar em alguns países, e na região do Pacífico Ocidental, o progresso é o mais lento, com 43,3% dos homens.

Desafios e necessidade de ação urgente

O relatório também mostra que, embora o consumo global de tabaco continue em queda, o ritmo atual não é suficiente para atingir a meta de redução de 30% até 2025. A prevalência global projetada para 2025 é de 19,2%, ligeiramente acima do objetivo de 18,3%.

A OMS apelou a todos os governos para reforçarem as medidas de controlo do tabaco. Jeremy Farrar, diretor-geral adjunto da OMS para Promoção da Saúde e Prevenção de Doenças, alertou que “o mundo fez progressos significativos, mas ainda cerca de 20% dos adultos usam produtos de tabaco ou nicotina” e que por esse motivo não podemos abrandar agora.

Um combate contínuo pela saúde pública

A OMS sublinha que o tabaco continua a ser responsável por milhões de mortes anuais, colocando pressão sobre sistemas de saúde e agravando desigualdades.

O relatório reforça que, apesar das vitórias alcançadas, a luta contra a epidemia do tabaco está longe de terminar. De acordo com o mesmo, o sucesso dependerá da capacidade dos governos de resistirem à influência da indústria, protegerem as novas gerações e garantirem que o futuro seja cada vez mais livre de fumo e de dependência.

Leia mais reportagens como esta em ONU News, parceiro do Metrópoles.

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