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Acre celebra 122 anos do Tratado de Petrópolis, marco que definiu suas fronteiras e anexação ao Brasil

Por Marcos Henrique 17/11/2025 09:01
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Acervo: Departamento de Patrimônio Histórico e Cultural da Fundação Elias Mansour

O Acre celebra, nesta segunda-feira (17), os 122 anos do Tratado de Petrópolis, documento histórico assinado em 1903 que oficializou a anexação do território acreano ao Brasil. Considerado um dos acordos diplomáticos mais importantes da história nacional, o tratado encerrou conflitos intensos na região e garantiu a soberania brasileira sobre uma área até então disputada com a Bolívia.

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O marco é lembrado como a “certidão de nascimento do Acre”, título reforçado pelo fato de a data ser feriado estadual.

O caminho até o tratado

Durante o século XIX, milhares de brasileiros — em sua maioria nordestinos fugindo da seca — ocuparam áreas ricas em látex na Amazônia boliviana. Com a explosão do preço da borracha no mercado internacional, essa região despertou o interesse da Bolívia e do Peru, reacendendo disputas territoriais.

Foto tirada no jardim da casa do Barão do Rio Branco em Petrópolis em que aparecem os negociadores do Tratado – Acervo: Departamento de Patrimônio Histórico e Cultural da Fundação Elias Mansour

Entre 1899 e 1902, três insurreições marcaram a história local, lideradas por José Carvalho, Luiz Galvez e Plácido de Castro. A criação do porto alfandegário de Puerto Alonso, pela Bolívia, e o arrendamento da região ao Bolivian Syndicate, grupo de investidores dos EUA e do Reino Unido, acirraram ainda mais a crise.

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O Brasil temia a instalação de forças estrangeiras armadas na Amazônia — preocupação estratégica para a época.

A atuação decisiva do Barão do Rio Branco

A reviravolta ocorreu quando o presidente Rodrigues Alves nomeou José Maria da Silva Paranhos Júnior, o Barão do Rio Branco, para o Ministério das Relações Exteriores. Ele contestou a interpretação histórica que tratava o Acre como território exclusivamente boliviano e defendeu novos limites baseados no Tratado de Ayacucho (1867).

Barão do Rio Branco, ministro responsável pela assinatura do tratado que anexou território do Acre ao Brasil, em 1903 — Foto: Yuri Marcel/g1

Com forte preparação diplomática — e militar, se necessário — Rio Branco conduziu negociações com a Bolívia, propondo pagamentos, ajustes territoriais e compensações logísticas para evitar conflitos e barrar a atuação estrangeira.

A vitória das tropas lideradas por Plácido de Castro em janeiro de 1903 enfraqueceu a posição boliviana, abrindo caminho para o acordo final.

O que estabeleceu o Tratado de Petrópolis

Assinado em 17 de novembro de 1903, o tratado definiu:

Mapa do Acre com a anexação do território ao Brasil. Foto: Internet/Divulgação

O Peru, contudo, ainda reivindicava parte da região. Suas demandas só foram resolvidas em 1909, também sob condução do Barão do Rio Branco.

Após a anexação, iniciou-se outro conflito, desta vez interno: o Amazonas reivindicou parte do território acreano, levando o caso ao Supremo Tribunal Federal sob a defesa de Rui Barbosa. As tensões permaneceram por décadas, refletindo-se até mesmo na Constituição de 1988.

Legado do Tratado

Tratado de Petrópolis foi assinado em 17 de novembro de 1903 — Foto: Reprodução TV Acre

O Acre tornou-se Território Federal em 1904 e, posteriormente, Estado em 1962. O Tratado de Petrópolis moldou o mapa brasileiro, influenciou movimentos migratórios, consolidou fronteiras e impediu a presença militar estrangeira na Amazônia.

Mais de um século depois, especialistas destacam que a atuação diplomática do Barão do Rio Branco permanece como referência global, simbolizando um raro momento na história em que soberania e negociação caminharam juntas.

Com informações do g1.

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