O que seria o início de um grande sonho para a Banda de Percussão Melódica Guerreiros Musicais, de Sena Madureira, transformou-se em um dos episódios mais dolorosos da trajetória do grupo na ultima terça-feira (25). Após semanas de intensos ensaios e preparação para representar o Acre no XXXII Campeonato Nacional de Bandas e Fanfarras 2025, em Macaé (RJ), os integrantes foram surpreendidos ao descobrir que não havia vagas suficientes no transporte reservado para a seleção acreana.
A situação revoltou o maestro e professor Rondom Lemos, que classificou o episódio como “falta de companheirismo” e “profundo desrespeito” com os jovens músicos. O grupo, composto por cerca de 20 alunos, já estava pronto para embarcar quando recebeu a notícia de que ficaria de fora.
Visivelmente emocionado, Rondom relatou que os alunos treinaram diariamente, sob sol e chuva, e investiram recursos próprios em roupas e alimentação para estarem aptos a competir. Segundo ele, o combinado era que apenas os integrantes essenciais das corporações selecionadas viajariam mas isso não teria sido cumprido.
O maestro afirmou que crianças que não iriam se apresentar e pais que acompanhariam alunos teriam ocupado vagas destinadas aos músicos de Sena Madureira.
“Uma seleção deveria ser união, não favorecimento”, declarou. “Enquanto nos fizeram acreditar em parceria, na prática apenas algumas corporações foram beneficiadas.”
Rondom destacou ainda que, apesar da decepção, é grato aos profissionais e instituições que realmente ajudaram:
“A FEM, o professor Anderson, o Beto, o Matheus e o Romulo fizeram tudo o que podiam. Nosso problema foi a falta de união de outras corporações.”
O maestro lamentou que todo o trabalho da banda com ensaios diários, deslocamentos aos finais de semana e total dedicação tenha sido descartado de última hora:
“Todos esses dias de ensaio foram jogados fora. Nós fomos parceiros desde o início, e fomos deixados para trás.”
Segundo ele, apenas duas vagas sobraram, que poderiam ter sido usadas por ele e sua esposa, mas Rondom recusou:
“Jamais deixaria um aluno para trás. Se um não vai, nenhum vai. Nós começamos juntos e voltamos juntos.”
No desabafo, o maestro pediu que o governador, o secretário de Educação e outras autoridades olhem com mais atenção para projetos que envolvem o deslocamento de corporações musicais:
“Não brinquem com os sentimentos das pessoas. Não enganem jovens que sonham.”
Com a impossibilidade de chegar ao Rio de Janeiro a tempo da apresentação a não ser por uma viagem aérea de última hora a banda está voltando para Sena Madureira.
Ainda assim, Rondom reforça que o grupo não desistirá:
“Somos Guerreiros Musicais. E guerreiros não desistem. Vamos continuar trabalhando e mostrando nosso valor.”
O episódio deixou clara a necessidade de mais organização, respeito e compromisso no movimento de bandas do Acre, para que injustiças como essa não voltem a acontecer.








