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Cerca de US$ 15 bilhões em exportações estão isentos de taxas, diz CNI

Por Metrópoles 21/11/2025 15:27
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Um estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que 37,1% das vendas do Brasil aos Estados Unidos, cerca de US$ 15,7 bilhões, estão isentas de qualquer sobretaxa adicional. O volume supera, pela primeira vez desde agosto, a fatia submetida à tarifa combinada de 50%, que ainda atinge 32,7% das exportações.

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A mudança ocorre após Washington ampliar a lista de produtos brasileiros livres da tarifa extraordinária de 40%, criada especificamente para o Brasil ao longo das disputas comerciais entre os dois países. No total, 238 itens foram liberados dessa cobrança.

A lista inclui produtos de forte presença na cesta de consumo americana, como carne bovina, café e cacau, um gesto visto pela indústria como sinal de distensão.

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A medida foi anunciada pelo presidente Donald Trump nessa quinta-feira (20/11) e altera o peso das barreiras impostas às vendas brasileiras em um ano marcado pelo endurecimento das políticas comerciais norte-americanas.

Ainda assim, a CNI destaca que 62,9% das exportações brasileiras para os EUA continuam sujeitas a algum tipo de tarifa adicional, seja horizontal, seja setorial, caso das taxas específicas sobre aço, alumínio e cobre, aplicadas pela chamada Seção 232.

Entre os produtos que ainda enfrentam barreiras, uma parcela de 7% está submetida à tarifa recíproca de 10%, enquanto 3,8% seguem sujeitas à tarifa extra de 40%. A fatia mais pesada, porém, continua sendo a das exportações impactadas pela tarifa combinada de 50%, que somam US$ 13,8 bilhões.

Nesse grupo, cerca de US$ 5 bilhões, ou 11,9% do total exportado ao mercado americano, são atingidos exclusivamente pela tarifa setorial de 50% da Seção 232.

Há ainda uma exceção condicionada criada anteriormente: produtos destinados à aviação civil podem ser isentos da tarifa de 40%, o que representa 7,5% da pauta, cerca de US$ 3,2 bilhões.

Para o presidente da CNI, Ricardo Alban, o recuo parcial das sobretaxas reforça a competitividade do produto brasileiro e abre caminho para negociações mais amplas. Segundo ele, a decisão dos EUA “é um sinal muito positivo” e indica disposição para avançar em temas da pauta industrial.

Alban afirma que setores como máquinas e equipamentos, móveis e calçados, historicamente dependentes do mercado norte-americano, ainda estão fora da lista de exceções, o que será prioridade na próxima rodada de diálogos. “Temos espaço para ampliar a remoção de barreiras para outros produtos industriais. Esse é nosso foco agora”, diz.

O estudo da CNI lembra que, antes dessa última flexibilização, o peso das medidas tarifárias era ainda maior. Em agosto, 77,8% das exportações brasileiras aos EUA estavam submetidas a algum tipo de sobretaxa, e a tarifa de 40% atingia quase metade da pauta exportadora, frequentemente acumulada com a tarifa básica de 10%.

Nesse contexto, apenas pouco mais de 22% das vendas estavam livres de cobranças adicionais, principalmente petróleo, óleos combustíveis, biocombustíveis e alguns produtos minerais e metalúrgicos.

A reversão atual, portanto, não elimina o impacto das barreiras, mas reduz uma pressão significativa sobre o setor exportador. A leitura da CNI é de que o gesto de Trump não ocorre apenas no campo econômico, há também um sinal diplomático de reaproximação, em um momento em que o governo norte-americano busca reorganizar suas alianças comerciais e reduzir tensões com parceiros estratégicos.

Apesar dos avanços, o quadro ainda é desafiador, aponta a CNI. As tarifas mais pesadas permanecem sobre setores industriais importantes, especialmente a cadeia do aço e do alumínio, que segue enfrentando a taxa de 50% da Seção 232.

O Palácio do Planalto, por sua vez, vê na flexibilização parcial uma oportunidade para destravar negociações, ampliar a lista de exceções e, aos poucos, reduzir o peso tributário sobre produtos de maior valor agregado.

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