Início / Versão completa
POLICIAL

Ex-deputado petista Paulo Frateschi é morto a facadas pelo filho em São Paulo

Por Cris Menezes 06/11/2025 13:59 Atualizado em 06/11/2025 13:59
Publicidade
Paulo Frateschi e o filho Francisco Frateschi

O ex-deputado estadual Paulo Frateschi (PT-SP), de 75 anos, foi morto a facadas pelo próprio filho, Francisco Frateschi, durante um desentendimento familiar ocorrido na manhã desta quinta-feira (6), em São Paulo. A informação foi confirmada por pessoas próximas da família e lideranças do PT na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp).

Publicidade

De acordo com relatos, o crime aconteceu na residência da família, localizada na zona oeste da capital paulista. Paulo Frateschi foi atingido por golpes de faca na cabeça e nos braços, chegou a ser socorrido e levado ao Hospital das Clínicas, mas não resistiu aos ferimentos.

A esposa de Frateschi, Yolanda Maux Viana, também ficou ferida ao tentar intervir na briga. Ela sofreu uma fratura no braço e foi atendida em uma UPA da Lapa. O filho foi preso em flagrante.

Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP-SP), a agressão teria ocorrido durante um episódio de surto. O local foi periciado, e o caso está sendo investigado pelo 91º Distrito Policial.

Publicidade

A morte de Paulo Frateschi marca mais uma tragédia em sua trajetória pessoal. O ex-deputado já havia perdido dois filhos em acidentes automobilísticos: Pedro, de 7 anos, em 2002, na rodovia Carvalho Pinto, em Guararema (SP); e Júlio, de 16 anos, em 2003, na rodovia Rio-Santos, entre Paraty e Angra dos Reis (RJ).

Na época, o velório de Júlio contou com a presença do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ministros e lideranças do PT, em solidariedade ao amigo e dirigente partidário.

Militância e trajetória política

Figura histórica da esquerda brasileira, Paulo Frateschi foi um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores (PT) e presidente estadual do partido em São Paulo. Militante desde os tempos da ditadura, integrou a Ação Libertadora Nacional (ALN), organização de resistência ao regime militar, e foi preso e torturado em 1969, tornando-se símbolo da luta democrática.

Professor por formação, Frateschi também atuou como secretário de Relações Governamentais na gestão do então prefeito Fernando Haddad, em 2014. Em toda a carreira, destacou-se por seu compromisso com a justiça social, os direitos humanos e a democracia.

Em 2018, durante uma caravana do então pré-candidato Lula, Frateschi chegou a ser atingido por uma pedrada em Chapecó (SC), num dos episódios de violência política da campanha daquele ano.

Repercussão

A morte do ex-deputado gerou profunda comoção no meio político. Em nota, o Partido dos Trabalhadores lamentou a perda e exaltou sua trajetória:

“Durante toda a sua vida, nosso companheiro demonstrou coragem, integridade e compromisso com o PT e com a busca por um país mais justo”, afirmou o partido. “Sua ausência deixa uma lacuna irreparável entre amigos, familiares e companheiros de luta.”

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, lamentou a morte do ex-secretário:

“Companheiro querido, homem fraterno e referência de compromisso público e político no Brasil. Foi defensor incansável da democracia, com coragem e determinação.”

O deputado Rui Falcão destacou a integridade do amigo:

“Um militante leal, íntegro e comprometido com a construção de um país mais justo e democrático. Torturado pela ditadura, não recuou. Meu profundo pesar.”

Já o senador Jaques Wagner classificou Frateschi como “um quadro histórico do PT” e “exemplo de alguém que jamais abriu mão de lutar por um Brasil melhor e mais justo”.

O velório e o sepultamento de Paulo Frateschi devem ocorrer em São Paulo, em local e horário ainda não divulgados pela família.

Recomendado
Publicidade
Ver matéria completa no site
Página AMP gerada pelo Tupa AMP Pro com componentes válidos para AMP. Scripts comuns do tema são bloqueados nesta versão para reduzir erros de validação.