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Fuzis Frankenstein: peças dos EUA montam arsenal bélico do CV no Rio

Por Metrópoles 04/11/2025 02:27
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O arsenal do Comando Vermelho (CV) já não depende apenas do tráfico internacional de fuzis completos. A facção está recorrendo cada vez mais aos chamados “fuzis Frankenstein”, armas montadas no Brasil com peças importadas, em grande parte dos Estados Unidos, segundo a Coordenadoria de Fiscalização de Armas e Explosivos (Cfae) da Polícia Civil do Rio de Janeiro.

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Esses armamentos híbridos se tornaram um dos pilares do poder bélico do CV. Montados com canos, coronhas, carregadores, miras e outras partes compradas sem barreiras alfandegárias, eles ganham receptores clandestinos e entram em operação como fuzis totalmente funcionais, com alto poder letal e baixo risco para quem organiza o contrabando.

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A estratégia permite driblar a fiscalização federal, enquanto a importação de um fuzil completo exigiria controle rígido e autorização militar, o envio de peças avulsas passa despercebido pelos sistemas de segurança.

Armas de guerra disfarçadas

Além dos “Frankenstein”, cresce o uso dos chamados fuzis copyfakes, réplicas de modelos famosos produzidas clandestinamente com partes de airsoft ou materiais de baixa qualidade. Podem falhar com mais frequência, mas continuam matando.

O pacote tecnológico da facção inclui ainda submetralhadoras feitas com impressoras 3D.

Rotas e origens: dos EUA às favelas

Um levantamento da Polícia Militar aponta que 95% dos fuzis apreendidos no Rio são estrangeiros. As principais portas de entrada, segundo a Cfae, são:

Essa logística abastece um exército armado espalhado por ao menos 24 comunidades do Rio, entre elas Maré, Jacarezinho, Penha, Alemão e Salgueiro.

Mercado milionário

Somente na megaoperação da semana passada, 93 fuzis foram apreendidos nos complexos do Alemão e da Penha, alguns deles  “Frankenstein”. O prejuízo estimado ao CV chega a R$ 12,8 milhões.

O Comando Vermelho tem adaptado sua estrutura para se parecer cada vez mais com uma força paramilitar: drones com explosivos, rádios encriptados, fardas camufladas e armamento com poder de fogo superior ao das forças locais.

Enquanto isso, a legislação brasileira ainda trata o porte de fuzil como crime comum não cumulativo, o que reduz a pena e beneficia quem é flagrado andando com armas de guerra.

O tema deve avançar em novos debates sobre a política de enfrentamento ao crime organizado, especialmente após a megaoperação mais letal da história do Rio.

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