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Indígena guarani kaiowá é morto e quatro ficam feridos em ataque armado na Terra Indígena Iguatemipeguá I, em Mato Grosso do Sul

Por Cris Menezes 16/11/2025 17:01 Atualizado em 16/11/2025 17:01
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Ataque mata um indígena Guarani Kaiowá e deixa outros quatro feridos em Iguatemi, Mato Grosso do Sul. — Foto: Conselho Indigenista Missionário (Cimi)

Um ataque ocorrido na madrugada deste domingo deixou um indígena guarani kaiowá morto e outros quatro feridos na Terra Indígena (TI) Iguatemipeguá I, em Iguatemi, Mato Grosso do Sul. A morte foi confirmada pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai).

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De acordo com o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), por volta das 4h, cerca de 20 homens fortemente armados atacaram a retomada de Pyelito Kue, área cuja posse é reivindicada pelos indígenas. O território foi identificado e delimitado pela Funai em 2013, mas permanece sem demarcação concluída.

Em nota, a Funai manifestou “profundo pesar” pela morte de Vicente Fernandes Vilhalva Kaiowá e Guarani, de 36 anos, que foi atingido com um tiro na testa. A fundação informou que uma equipe atua junto ao Departamento de Mediação e Conciliação de Conflitos Fundiários Indígenas do Ministério dos Povos Indígenas e acionou os órgãos de segurança após a denúncia do ataque. A Força Nacional de Segurança Pública (FNSP) chegou ao local ainda pela manhã.

A Funai reforçou a necessidade de investigação rigorosa e ações integradas para combater grupos armados que atuam na região. Também destacou a importância de políticas públicas que garantam a proteção dos povos indígenas e a segurança de seus territórios. Um Grupo de Trabalho Técnico (GTT) foi criado para atuar na mediação de conflitos no estado.

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O Ministério da Justiça e Segurança Pública informou que, ao chegar ao local, a FNSP encontrou três vítimas — duas feridas e um óbito. As equipes prestaram socorro e reforçaram o patrulhamento na área em apoio à Polícia Federal e à Funai.

O ataque é o quarto registrado desde outubro, quando o povo guarani kaiowá retomou uma área da Fazenda Cachoeira, sobreposta à TI Iguatemipeguá I e próxima à aldeia Pyelito Kue. Segundo relatos, após os disparos, os indígenas recuaram para a aldeia, mas foram cercados por pistoleiros que destruíram uma ponte para impedir o acesso ao local, dificultando a chegada das forças de segurança.

“Estamos cercados. Estão atirando até aqui na aldeia, fora da retomada, nas nossas casas. Sem chance de defesa”, relatou uma indígena, que teve a identidade preservada por segurança.

O ataque se estendeu até as 6h. Além da morte de Vicente, quatro pessoas ficaram feridas entre elas dois adolescentes e uma mulher, atingidos por tiros nos braços e no abdômen. Um dos adolescentes foi baleado com munição letal, enquanto os outros foram atingidos por balas de borracha. Segundo o Cimi, os atiradores ainda tentaram recolher o corpo da vítima, mas foram impedidos pelos indígenas.

Em nota, a Assembleia Geral do Povo Kaiowá e Guarani (Aty Guasu), organização regional da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), condenou o ataque e afirmou que a comunidade não aceitará ser tratada “como invasora em nossas próprias terras”. A entidade reforçou que a Constituição garante os direitos territoriais indígenas e cobrou ação efetiva do Estado brasileiro na proteção de seus povos.

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