Início / Versão completa
Justiça

Justiça aperta cerco após denúncias do MPAC: cavalgadas do Juruá rendem multa milionária

Por Cris Menezes 10/11/2025 16:51 Atualizado em 10/11/2025 16:51
Publicidade

 

O Ministério Público do Estado do Acre (MPAC), por meio da Promotoria de Justiça Especializada de Defesa do Meio Ambiente e da Bacia Hidrográfica do Juruá, obteve duas decisões judiciais favoráveis em ações civis públicas movidas contra o Estado do Acre e os municípios de Cruzeiro do Sul e Mâncio Lima.

Publicidade

As decisões reconhecem falhas graves na organização de cavalgadas realizadas nos dois municípios em 2024, que resultaram em danos coletivos de natureza ambiental e moral. Juntas, as condenações somam R$ 400 mil em indenizações por danos morais coletivos, valores que serão revertidos ao Fundo Especial do Ministério Público do Acre (Funemp/AC), voltado a projetos de proteção e defesa do meio ambiente.

As ações foram propostas pela promotora de Justiça Manuela Canuto Farhat, com o objetivo de reforçar a necessidade de cumprimento das normas ambientais e de bem-estar animal em eventos públicos, além de reafirmar o papel do MPAC na defesa dos direitos difusos e coletivos.

Antes dos eventos, o Ministério Público havia expedido recomendações aos organizadores das cavalgadas, prevendo medidas de segurança e bem-estar animal, como divulgação do itinerário, exigência de documentação sanitária, oferta de água e alimentação, instalação de barreiras físicas e proibição do uso de instrumentos lesivos. No entanto, muitas dessas orientações foram ignoradas.

Publicidade

Cruzeiro do Sul

Em Cruzeiro do Sul, a ação civil pública foi ajuizada após o Núcleo de Apoio Técnico (NAT) do MPAC constatar diversas irregularidades durante a Cavalgada da Expoacre Juruá 2024.
O relatório técnico apontou falhas como falta de controle sanitário, uso de esporas e açoites, ausência de estrutura para descanso e hidratação dos animais e carência de barreiras de segurança entre o trajeto e o tráfego de veículos.

Segundo o documento, o Imac e o Idaf, responsáveis pela fiscalização, não impediram as práticas irregulares nem garantiram o cumprimento das normas ambientais e de proteção animal.
Com base nas provas apresentadas, a Justiça condenou o Estado do Acre e o Município de Cruzeiro do Sul ao pagamento de R$ 200 mil por danos morais coletivos.

Mâncio Lima

Situação semelhante foi registrada em Mâncio Lima, durante a XIX Cavalgada Hermecílio Barreto Lima, realizada em maio de 2024.
Relatório do Imac apontou participação de animais sem documentação obrigatória, uso de instrumentos proibidos, consumo de bebidas alcoólicas por participantes e dispersão desorganizada de animais ao final do evento.

O MPAC sustentou que o município, responsável direto pela organização, e o Estado do Acre, por meio de seus órgãos fiscalizadores, foram omissos diante das irregularidades.
A Justiça reconheceu a responsabilidade solidária dos dois entes públicos e os condenou ao pagamento de mais R$ 200 mil em indenização por danos morais coletivos.

As duas decisões reforçam a atuação do MPAC na proteção ambiental e no combate a práticas que coloquem em risco o bem-estar animal e a segurança pública durante eventos tradicionais no interior do Acre.

Recomendado
Publicidade
Ver matéria completa no site
Página AMP gerada pelo Tupa AMP Pro com componentes válidos para AMP. Scripts comuns do tema são bloqueados nesta versão para reduzir erros de validação.