10 de julho de 2026

Lula aposta na COP30 para reforçar liderança global do Brasil, mas enfrenta desafios internos

Lula aposta na COP30 para reforçar liderança global do Brasil, mas enfrenta desafios internos
Lula aposta na COP30 para reforçar liderança global do Brasil, mas enfrenta desafios internos

Nesta semana, a capital do Pará, Belém, sedia a 30º edição da Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30). O evento vem para transformar o Brasil em vitrine política e diplomática, e reafirmar o país como uma liderança ambiental global. O cientista político Magno Karl analisa, no entanto, os desafios que surgem ao tentar fazer da COP30 um legado, e “não apenas espetáculo”.

O especialista pontua inicialmente que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quer que o Brasil volte a ser visto como “parte da solução” tanto na pauta climática quanto na governança global. Ele também ressalta que há um objetivo interno: transformar o discurso verde em capital político. “A ideia é usar a COP como símbolo de compromisso com o futuro, algo que dá apelo entre jovens, investidores e setores urbanos progressistas, públicos que o governo vem tentando reconquistar”, explica.

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Veja as fotosAbrir em tela cheia Lula com NoruegaDivulgação: Ricardo Stuckert Luiz Inácio Lula da Silva (PT)Reprodução: YouTube/CanalGov Davi Alcolumbre e Lula celebram aprovação da isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil mensalReprodução: Instagram/@lulaoficial

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Karl opina que o discurso tem tido sucesso, mas, na prática, há muitas limitações. “O governo tem apostado em eventos, comitês e acordos de cooperação para mostrar movimento, mas ainda falta coerência entre o que se diz e o que se faz, tanto no Brasil quanto em outros países. O discurso é grátis, mas ações têm custos significativos que os países têm evitado enfrentar de frente”, diz.

“O desafio é transformar a COP30 em legado, não apenas em espetáculo. E isso exige metas claras, indicadores de resultado e articulação com governos, empresas e sociedade civil, e metas que sejam ambiciosas, mas realistas, evitando, como se diz, que o ótimo seja inimigo do bom.”

O especialista ainda pontua que trazer a COP para o Brasil foi um “acerto estratégico e um risco calculado”. “Acerto, porque dá ao governo uma plataforma internacional que poucos países têm, e porque reforça a imagem de um Brasil de diálogo, diversidade e responsabilidade climática. Mas há também um risco: quanto mais o governo promete, mais será cobrado”, ressalta.

O cientista político ressalta que até agora, o desenrolar é ambíguo. “O país se prepara para receber o evento, mas a coordenação política e institucional ainda parece fragmentada. Há disputa de protagonismo entre ministérios, e as entregas concretas, como infraestrutura, planos de transição, parcerias, avançaram devagar e chegaram a gerar, como no caso dos hotéis, desgaste ao país. Em resumo: trazer a COP foi bom. Fazer dela um sucesso político e de gestão, porém, é um caso que exige engajamento e visão reais, muito além do puro marketing ambiental.”