12 de julho de 2026

Sócio de piloto arrendou “fábrica aeroespacial” para CV produzir fuzis

Sócio de piloto arrendou “fábrica aeroespacial” para CV produzir fuzis
Sócio de piloto arrendou “fábrica aeroespacial” para CV produzir fuzis

A Polícia Federal (PF) descobriu que uma fábrica registrada como produtora de peças aeroespaciais, em Santa Bárbara d’Oeste, interior paulista, era usada para produzir fuzis de uso restrito em larga escala. A empresa Kondor Fly Parts Indústria e Comércio de Peças Aeronáuticas pertence a Gabriel Carvalho Belchior, de 42 anos. Inquérito da PF mostra que ele cedia o espaço e o maquinário para que a quadrilha operasse durante a madrugada.

O caso levou à prisão em flagrante de Anderson Custódio Gomes e Janderson Aparecido Ribeiro de Azevedo e, também, à denúncia de Belchior e Wendel dos Santos Bastos por organização criminosa e comércio ilegal de armas.

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9 imagensArmas custavam entre R$ 8 mil e R$ 15 mil Armas eram repassadas para facções no Rio e nordeste Armas eram montadas no interior de SPPeças eram feitas com maqunário de fábrica que deveria produzir peças aeroespaciaisFechar modal.1 de 9

Armas eram projetadas em 3D

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Armas custavam entre R$ 8 mil e R$ 15 mil

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Armas eram repassadas para facções no Rio e nordeste

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Armas eram montadas no interior de SP

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Peças eram feitas com maqunário de fábrica que deveria produzir peças aeroespaciais

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Projetos eram posteriormente executados em fábrica no interior paulista

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Reprodução/PF

Agentes federais constataram que os acusados usavam centros de usinagem, avaliados em mais de R$ 2 milhões, para produzir peças compatíveis com fuzis do tipo Colt/AR-15. As armas eram finalizadas e armazenadas em um depósito em Americana, também no interior paulista, de onde seriam distribuídas para o Rio de Janeiro e estados do nordeste.

“Protótipos aeronáuticos”

De acordo com laudo pericial, Anderson e Janderson trabalhavam no turno da noite, alegando produzir “protótipos aeronáuticos”. A PF, porém, comprovou que o maquinário era usado para usinagem de receptores, gatilhos, canos e peças metálicas de armamento.

O proprietário Gabriel Carvalho Belchior, titular da empresa, negou envolvimento direto. Documentos anexados ao inquérito, porém, mostram que ele assinava notas e contratos de locação e compra de insumos metálicos, inclusive com fornecedores ligados a Wendel dos Santos Bastos, que gerenciava parte da operação logística.

Gabriel teria fugido para os Estados Unidos e consta como procurado na lista da Polícia Internacional (Interpol). Wendel também não havia sido preso até a publicação desta reportagem.

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As investigações começaram após denúncias anônimas e vigilância mantida por policiais federais, com apoio da Polícia Militar. No flagrante, foram apreendidos 35 conjuntos de fuzis, dois silenciadores e dezenas de caixas com peças em diferentes estágios de fabricação.

O delegado Jeferson Dessotti Cavalcante Di Schiavi autuou os envolvidos pelos crimes previstos na Lei de Organização Criminosa e no Estatuto do Desarmamento. O processo tramita na 1ª Vara Criminal de Americana. Anderson e Janderson seguem presos preventivamente.

Envolvidos e funções

  • Gabriel Carvalho Belchior — proprietário da Kondor Fly; acusado de ceder a estrutura industrial para fabricação ilegal de fuzis. Ele está foragido e consta na lista de procurados da Interpol.
  • Anderson Custódio Gomes — programador CNC; desenvolvia os códigos de fabricação e coordenava a usinagem.
  • Janderson Aparecido Ribeiro de Azevedo — operador de máquinas; executava a produção e o transporte das peças.
  • Wendel dos Santos Bastos — responsável por logística e compra de insumos metálicos; dava suporte à fabricação e recebia R$ 69 mil mensais da quadrilha, pelo arrendamento da fábrica.
  • “Milque” — gerente da Kondor Fly citado pelos operários como supervisor das atividades noturnas; investigado.

A PF do Rio de Janeiro também investiga a relação da fábrica do interior paulista com um núcleo carioca responsável em receber as armas e negociá-las com facções em diversos morros, além de milícias, que disputam à bala territórios para agir ilegalmente.