20 janeiro 2026

Vale do Juruá é a região mais vulnerável economicamente do Acre, aponta estudo

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Rio Juruá / Foto: Marcos Santos/Secom.

Um levantamento do Fórum Empresarial de Inovação e Desenvolvimento do Acre, em parceria com o Sebrae, revelou que o Vale do Juruá é a região com maior vulnerabilidade e desigualdade econômica do estado entre os anos de 2022 e 2024. O estudo foi elaborado pelo economista Dr. Rubicleis Gomes da Silva e analisou dois fatores principais: o número de empregos formais e a quantidade de beneficiários do Programa Bolsa Família.

De acordo com o pesquisador, a situação econômica do Acre segue fortemente dependente dos programas sociais, principalmente fora da capital. “Com exceção de Rio Branco, a maioria dos municípios acreanos tem mais beneficiários do Bolsa Família do que trabalhadores com carteira assinada. O impacto do programa é enorme na economia local. Há cidades do interior em que até o comércio se movimenta de acordo com o calendário de pagamento do benefício”, explicou Rubicleis.

O estudo utilizou o Índice de Vulnerabilidade Municipal (IVM), que mede anualmente a relação entre a dependência de programas de transferência de renda e a oferta de empregos formais. A pesquisa mostrou que, embora o Acre apresente uma leve melhora no período analisado, os números ainda são altos.

Em 2022, havia 127 beneficiários do Bolsa Família para cada 100 trabalhadores formais no estado. Já em 2024, essa relação caiu para 115 beneficiários por 100 empregados, sinalizando um pequeno avanço na geração de empregos ou na redução da dependência de programas assistenciais.

A classificação do IVM é dividida em cinco níveis: muito baixa, baixa, média, alta e muito alta vulnerabilidade. As localidades enquadradas na categoria “muito alta” são aquelas onde há mais de 30 beneficiários do Bolsa Família para cada trabalhador com carteira assinada.

Desigualdade regional

O Acre é dividido em duas grandes regiões: o Vale do Acre, que inclui municípios como Rio Branco, Brasiléia, Sena Madureira e Assis Brasil; e o Vale do Juruá, composto por cidades como Cruzeiro do Sul, Mâncio Lima, Tarauacá, Feijó, Jordão e Marechal Thaumaturgo.

Entre essas regiões, o Vale do Juruá apresentou os índices mais críticos. A microrregião de Cruzeiro do Sul conseguiu uma leve melhora, reduzindo seu IVM de 3,13 em 2022 para 2,96 em 2024. Já Tarauacá registrou piora expressiva, passando de 6,61 para 9,35 — um aumento de mais de 40% na vulnerabilidade.

Apesar de avanços, Marechal Thaumaturgo ainda aparece entre os municípios mais vulneráveis, com IVM de 30,77, mesmo após ter reduzido quase pela metade o índice anterior (49,25). Santa Rosa do Purus permanece no topo do ranking de vulnerabilidade, com aumento contínuo ao longo dos anos, enquanto Jordão apresentou melhora, caindo de 45,70 para 36,18, mas ainda figura entre as cidades em situação crítica.

Segundo o estudo, os municípios com maiores índices de vulnerabilidade têm algo em comum: o isolamento geográfico e a economia pouco diversificada. Muitas dessas localidades não têm acesso rodoviário permanente, o que limita a geração de empregos e o desenvolvimento econômico.

Rubicleis conclui que, apesar da melhora em parte dos indicadores, as diferenças regionais continuam grandes. “Quando o número de beneficiários do Bolsa Família é muito superior ao de trabalhadores formais, isso revela a dificuldade de o mercado local gerar empregos e oportunidades. A economia acaba dependendo quase totalmente dos recursos dos programas sociais”, destacou o economista.

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