Início / Versão completa
Geral

A tentativa de Caetano de unir Disco Music à África ancestral em 1977

Por Metrópoles 02/12/2025 01:27
Publicidade

Lançado em 1977, “Bicho”, o décimo álbum de estúdio de Caetano Veloso, estruturou-se em torno de dois elementos musicais que, à primeira vista, parecem díspares: a tradição africana e a disco music. Naquele ano, Caetano (com 35 anos) apontou as “antenas para as pistas de dança do planeta”.

Publicidade

Contudo, o disco foi recebido com desconfiança pela crítica e alas da esquerda. Ele foi tratado como “um convite à alienação” e “exemplo da dominação estrangeira”. A crítica patrulhava Caetano, cobrando dele o engajamento político explícito de Chico Buarque e Gilberto Gil.

No entanto, um olhar mais atento revela que Caetano buscava uma síntese. Os tambores da África e as batidas das pistas eram, na verdade, duas formas de “ser gente linda e dançar”.

O álbum celebrava a música dançante de origens afro, notando que a disco music surgiu pelas mãos dos negros americanos antes de ser apropriada pelos brancos.

Publicidade

Leia também

O disco foi influenciado pelo impacto que Caetano sentiu ao visitar a Nigéria e presenciar a pobreza local.

Na faixa “Gente”, o artista enfatiza que “gente é pra brilhar / não pra morrer de fome”. A canção “Two Naira Fifty Kobo”, que incorpora o juju music nigeriano, expressa que o certo é “ser gente linda e dançar, dançar, dançar” e “fazendo música”.

Além do foco na dança e no ancestral, o álbum é permeado por doçura. Ele apresenta clássicos como a dançante “Odara” (um dos favoritos singalong do público brasileiro), a reflexiva “Um Índio” (um reggae de versos apocalípticos) e a lindíssima “O Leãozinho” (composta para o baixista Dadi).

A faixa “Tigresa” canta sobre a mulher que trocou a política de 1966 pelo hedonismo dançante dos Frenetic Dancing’ Days.

“Bicho” provou que Caetano, mesmo flertando com o pop, permanecia atento ao que pulsava no mundo.

Quase cinco décadas depois, Caetano retorna aos palcos com a mesma inquietude que o levou a unir África, disco e Brasil. No Festival Estilo Brasil, essas canções — doces, dançantes, críticas e ancestrais — ganham corpo novamente, mostrando que a pista de dança sempre foi política e que Caetano continua sendo o artista que traduz a pulsação do mundo.

O Festival Estilo Brasil é apresentado pelo Banco do Brasil Estilo, com patrocínio do governo federal e dos cartões BB Visa, e realização do Metrópoles, com produção da Oh! Artes.

Compre seu ingresso

Programação

Caetano Veloso
11 de dezembro

Liniker
14 de dezembro

Festival Estilo Brasil

Local: Ulysses Centro de Convenções
Ingressos: Bilheteria Digital

Recomendado
Publicidade
Ver matéria completa no site
Página AMP gerada pelo Tupa AMP Pro com componentes válidos para AMP. Scripts comuns do tema são bloqueados nesta versão para reduzir erros de validação.