28 de junho de 2026

Diácono de igreja onde líder abusou de menores pediu “pacto de sigilo”

Diácono de igreja onde líder abusou de menores pediu “pacto de sigilo”
Diácono de igreja onde líder abusou de menores pediu “pacto de sigilo”

O caso do líder religioso acusado de abusar sexualmente de vários menores de idade que frequentam a Igreja Batista Filadélfia, no Guará (DF), pode terminar com mais pessoas incriminadas. A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) aponta que outras lideranças da igreja, incluindo o pai do criminoso, atuaram para acobertar os crimes.

Entenda o caso

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  • O autor, Gabriel de Sá Campos, 30 anos, abusou de ao menos quatro adolescentes frequentadores da Igreja Batista Filadélfia.
  • Os crimes acontecem desde 2019, e as vítimas tinham entre 10 e 16 anos no momento em que foram abusadas pela primeira vez. Todos os adolescentes violentados são do sexo masculino.
  • Gabriel é filho do presidente da igreja e atuava na paróquia como líder de uma espécie de “ministério da sexualidade”, área encarregada de prestar orientações sobre educação sexual a adolescentes da unidade.
  • O indivíduo se aproveitava da liberdade que tinha para enganar as vítimas e ganhar a confiança dos rapazes. Em alguns casos, ele os levava para a casa dele; em outros, cometia os abusos nas dependências da própria igreja.
  • Ainda de acordo com relatos, ele acariciava as partes íntimas das crianças, que se incomodavam e pediam para parar, mas o estuprador as ignorava. Para cessar as importunações, alguns rapazes se escondiam no banheiro ou pediam para os pais buscá-los.
  • Gabriel contava com a “vista grossa” dos demais membros da igreja, que faziam pouco caso das denúncias das famílias.

O caso é investigado pela 4ª Delegacia de Polícia (Guará). A unidade apurou que, em 9 de novembro deste ano, um diácono classificou os abusos sexuais cometidos por Gabriel como um “mal-entendido”. Ele pediu ainda um “pacto de sigilo”.

O diácono em questão, que não teve o nome revelado, ainda disse na reunião que “problemas da igreja se resolvem na igreja, não na polícia”. Para a Polícia Civil, a atitude do religioso configura “clara tentativa de obstrução de justiça”.

O pai de Gabriel, que também tem o nome preservado pelas autoridades policiais até o momento, seria mais um a acobertar para o criminoso. Quando os pais de uma vítima procuraram o líder, ele disse que os fatos eram “brincadeira” e “ato involuntário”.

A mãe do abusador teria também confrontado os menores quando eles estavam longe dos pais, acusando-os de “falso testemunho” e ameaçando processar as vítimas.

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“Serial estuprador”

A PCDF enxerga como um estuprador em série o ex-líder da Igreja Batista Filadélfia. De acordo com o delegado responsável pelas investigações, Herbert Léda, as circunstâncias dos crimes classificam o líder evangélico Gabriel Campos como um “serial estuprador”.

“Pelo fato de ele ter cometido mais de quatro estupros de vulnerável, ele já é considerado um serial estuprador”, afirma o delegado. Assim como no homicídio, quando [um autor] mata mais de três pessoas com o mesmo modus operandi é considerado um serial killer, ele [Gabriel Campos] é considerado um serial estuprador”, explica.