Início / Versão completa
Geral

Família sobre retirada de qualificadora em morte de modelo: “Injusta”

Por Metrópoles 03/12/2025 17:27
Publicidade

A decisão do Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) de retirar a qualificadora de homicídio por motivo torpe do indiciamento de Grazielly da Silva Barbosa provocou indignação na família da influenciadora Aline Maria Ferreira da Silva (foto em destaque), 33 anos. A empresária responde pela morte da modelo, que realizou um procedimento de aumento de glúteos na clínica que ela administrava.

Publicidade

“A família da vítima recebeu com perplexidade a retirada da qualificadora do homicídio, uma vez que presenciou a torpeza dos fatos e entende como injusta tal supressão. Ainda assim, mantém a esperança de que Grazielly seja devidamente condenada pelo homicídio, ainda que na forma simples”, manifestou a advogada Julianna Andrade, que representa os parentes de Aline.

Por meio de nota, a advogada também reiterou a necessidade de que o Ministério Público do Estado de Goiás (MPGO) avance na apuração do delito de adulteração de produto destinado a fins terapêuticos.

“O laudo de autópsia confirmou a presença de óleo no local da aplicação no corpo da vítima — elemento absolutamente incompatível com o produto verdadeiro — reforçando a evidência de adulteração”, afirma a defesa.

Publicidade

Durante o procedimento, Grazielly aplicou PMMA nos glúteos da influenciadora. Aline começou a ter febre e foi internada em um hospital de Brasília, onde morreu em julho de 2024.

Segundo a advogada que representa a família de Aline, a empresária, que se apresenta como biomédica, teria manipulado o produto de maneira irregular, preenchido manualmente as seringas e injetado na modelo uma substância aquosa e de procedência desconhecida.

Grazielly não possuía qualquer formação na área da saúde, não detendo também de habilitação técnica para atuar com produtos destinados a procedimentos estéticos ou terapêuticos. De acordo com o processo, ela utilizava substâncias falsificadas, importadas clandestinamente do Paraguai, sem qualquer garantia de identidade, qualidade ou segurança.

“Soma-se a isso que o procedimento foi realizado em um estabelecimento totalmente desprovido de licença sanitária ou condições adequadas, expondo a vítima a riscos gravíssimos e absolutamente evitáveis. Trata-se, portanto, de um conjunto de condutas que evidencia a extrema gravidade do caso”, destacou a advogada.

O Tribunal do Júri ainda não tem data marcada. Segundo o defensor de Grazielly, a sustentação será de que o homicídio foi culposo, ou seja, sem intenção de matar.

4 imagensFechar modal.1 de 4

Modelo e influencer que morreu após aplicação de PMMA

Reprodução2 de 4

Aline Maria Ferreira, influencer morta do DF após aplicação de PMMA, posa de roupa de praia

Instagram/Reprodução3 de 4

Aline aplicou PMMA nos glúteos com a empresária Grazielly

Reprodução/redes socias4 de 4

Falsa biomédica Grazielly da Silva Barbosa, indiciada pela morte da influenciadora digital brasiliense Aline Maria Ferreira

Reprodução

Relembre o caso

Denúncia

Grazielly foi denunciada por homicídio com dolo eventual — quando se assume o risco de matar, mesmo sem intenção. O MPGO considerou que o PMMA foi aplicado “em ambiente e condições impróprias, sem a qualificação técnica necessária e sem observar minimamente os deveres legais de cuidados inerentes ao procedimento”.

De acordo com relatos ouvidos do marido e de uma amiga de Aline, que a acompanharam durante o procedimento, a influenciadora recebeu 30 ml de PMMA em cada glúteo. A aplicação durou menos de 20 minutos, informou o MP.

“Na sequência, a denunciada, sem luvas, massageou a região da aplicação para espalhar o produto e aplicou curativos”, diz a denúncia.

Ao sentir dor e febre, Aline ligou para a empresária no dia seguinte, relatou o MP. Grazielle orientou que a influenciadora tomasse alguns medicamentos e “a persuadiu a não procurar atendimento médico”, detalha o documento.

Visita da empresária

Quatro dias após o procedimento, em 27 de junho, Aline procurou um hospital em Brasília, onde morava, e foi internada, informou o MP.

Conforme a denúncia, ela chegou a receber uma visita de Grazielly, que foi ao hospital e aplicou um anticoagulante na influenciadora, “dizendo que era para evitar trombose”.

No mesmo dia, Aline foi transferida para a unidade de terapia intensiva (UTI) de outro hospital. Ela morreu cinco dias após a visita da empresária.

 

Recomendado
Publicidade
Ver matéria completa no site
Página AMP gerada pelo Tupa AMP Pro com componentes válidos para AMP. Scripts comuns do tema são bloqueados nesta versão para reduzir erros de validação.