9 de julho de 2026

Flagra revela ginecologistas de São Paulo em tarefas pessoais durante o expediente e expõe falhas no atendimento

Flagra revela ginecologistas de São Paulo em tarefas pessoais durante o expediente e expõe falhas no atendimento
Foto: TV Globo

Uma investigação do SP2 revelou que três médicas ginecologistas do Hospital Heliópolis, na Zona Sul de São Paulo, não estavam cumprindo a carga horária enquanto pacientes enfrentam meses de dificuldade para conseguir consulta. As profissionais foram vistas fazendo atividades pessoais — como compras e aula de pilates — em momentos em que deveriam estar atendendo no ambulatório.

As médicas envolvidas são Márcia Kamilos, Silmara Fialho e Mara Gomes, todas listadas na escala oficial de ginecologia do hospital. Apesar disso, mulheres que dependem do SUS relatam que não conseguem marcar atendimento há muito tempo.

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Rita de Cássia, cozinheira, diz tentar consulta há mais de seis meses:
“A gente tenta, tenta, e nada. Dizem que não tem vaga, que não tem médico. É humilhante, porque a gente paga imposto a vida inteira.”

Márcia Kamilos: afastada do SUS, ativa na rede privada

Segundo a investigação, Márcia Kamilos não aparece no hospital há um ano, amparada por um atestado de 365 dias por “capacidade laborativa prejudicada”. Mesmo assim, a reportagem conseguiu marcar consulta com ela em uma clínica particular.

A médica também participou de congressos, palestras e cursos ao longo de 2025, em São Paulo, Goiânia e Brasília — atividades incompatíveis com sua condição de afastamento.

Silmara Fialho: atrasos, saídas antecipadas e faltas

Foto: TV Globo

A rotina de Silmara também chamou atenção. No dia 17 de novembro, ela bateu ponto, mas saiu duas horas antes do fim da jornada e não registrou saída. Em outro dia, chegou com uma hora e meia de atraso. Também foi flagrada fazendo compras na Zona Cerealista enquanto deveria estar trabalhando. Em duas datas acompanhadas, nem apareceu no hospital.

Mara Gomes: pilates no meio do expediente

Já Mara foi vista deixando o hospital para fazer pilates em plena quarta-feira, ficando três horas fora. No dia 24, ela deixou o plantão para fazer aula em São Caetano — no mesmo horário em que deveria estar atendendo. Só depois voltou ao ambulatório.

Salários passam de R$ 210 mil no ano

De janeiro a outubro de 2025, juntas, as três profissionais receberam mais de R$ 210 mil do governo estadual, segundo o Portal da Transparência.

Foto: TV Globo

O que dizem as envolvidas e as autoridades

Márcia Kamilos afirmou que o hospital tem ciência de seu afastamento e da documentação. Já Silmara e Mara não responderam às ligações e mensagens enviadas pela reportagem.

A Secretaria da Saúde determinou que a organização social Albert Einstein, responsável pela gestão do hospital, apure os fatos com rigor. Disse ainda repudiar condutas antiéticas e prometeu punições administrativas e legais se as irregularidades forem confirmadas.

O Hospital Albert Einstein informou que está implementando melhorias no controle interno, incluindo ponto com biometria facial.

Veja:

Informações via g1 Acre.