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O “Novo Chuchu” em cena: Zema apela ao carisma e arrisca a direita

Por Metrópoles 25/12/2025 06:27
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O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), lançou recentemente uma peça de pré-campanha que utiliza Inteligência Artificial para apresentá-lo de uma forma inusitada: cantando e dançando ao estilo sertanejo. A estratégia, no entanto, foi recebida com ironia pelo jornalista Guga Noblat, que apelidou o governador de “o novo chuchu” da política brasileira.

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“Novo Chuchu”

O termo “chuchu”, na política historicamente associado ao vice-presidente Geraldo Alckmin por sua imagem considerada insossa à época, foi resgatado por Guga Noblat para descrever Zema.

A tentativa de popularizar Zema — fazendo-o cantar sobre “plantar mandioca” e o “frizinho de Minas” — é vista como um esforço para humanizar um gestor técnico, com fama de frieza, e atrair o eleitor comum, especialmente o do interior e os jovens que consomem conteúdos rápidos em plataformas como o TikTok.

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Porém, o risco tomado por Zema ao brincar com as palavras – “até as pererecas vão molhar” – embora tente usar do humor para conectar com o público, pode bater torto perante o eleitorado conservador e religioso. Para esse público, o uso de metáforas com duplo sentido pode alienar justamente as chamadas “famílias tradicionais” e a base evangélica, que podem enxergar na estratégia uma tentativa artificial — e levemente vulgar — de fabricar um carisma que não condiz com sua trajetória de gestor técnico e sério.

O Alvo: O Eleitor que busca o “Pai de Família” e o “Gestor”

Analistas indicam que a narrativa de Zema foca em dois perfis principais:

– O Eleitor de Centro-Direita Pragmático: Aquele que busca eficiência administrativa (o lado “gestor”), mas que precisa de uma conexão emocional para consolidar o voto.

– O Espólio Bolsonarista Moderado: Eleitores que se identificam com a pauta econômica liberal e de costumes, mas que podem preferir um perfil menos beligerante que o de Jair Bolsonaro, embora ainda precisem sentir que o candidato é “gente como a gente”.

Segundo já noticiado em canais da imprensa, Zema tem intensificado sua agenda de pré-candidato à Presidência, tentando se posicionar como o nome da “direita racional”, mas a fama da falta de carisma aponta para o risco de não conseguir inflamar as massas como seu antecessor no campo da direita.

2026: A Eleição da Inteligência Artificial

O vídeo de Zema é apenas a “ponta do iceberg” do que se espera para 2026. A relação entre IA e campanhas eleitorais no Brasil atingirá um patamar inédito. Especialistas apontam que a tecnologia será usada não apenas para dublagens e criações lúdicas, mas para:

Microsegmentação: Criar milhares de versões de um mesmo discurso, adaptando gírias e cenários para cidades específicas.

Gestão de Crise: Respostas instantâneas a ataques em redes sociais.

Risco de Desinformação: A Abin e o TSE já alertaram para o desafio das deepfakes e da manipulação da percepção da realidade, onde será cada vez mais difícil distinguir o que é o candidato real do que é um simulacro digital.

Para Zema, a IA é uma ferramenta de sobrevivência política para tentar fabricar o carisma que os críticos dizem lhe faltar. Se a estratégia vai “pegar” ou se ele continuará sendo visto como o “picolé de chuchu” da nova geração, o termômetro das redes sociais nas próximas semanas dirá.

 

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