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Paciente morta após ficar amarrada: 1 ano depois, família ainda busca resposta

Por Metrópoles 20/12/2025 02:27
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Depois de passar horas amarrada no Hospital São Vicente de Paulo (HSVP), em Taguatinga (DF), a paciente Raquel França de Andrade (foto em destaque), de 24 anos, passou mal, sofreu uma convulsão e morreu, no Natal de 2024. Às vésperas do trágico caso completar um ano, a família da jovem segue em busca de explicações para o que aconteceu.

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A Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) instaurou um processo para apurar possíveis irregularidades na Corregedoria da pasta. No entanto, de acordo com o irmão de Raquel, o eletricista Iago Feitosa Pereira de Sousa, 26, a família não recebeu oficialmente resposta alguma. Segundo a pasta, a investigação ainda está em andamento e medidas foram adotadas para garantir mais segurança aos pacientes (leia abaixo).

“Para mim foi um trauma. Eu vi o tanto que a Raquel sofreu. No velório dela, passou um filme das nossas vidas na minha cabeça. A Raquel nunca pediu para ser especial, mas ela tinha sonhos”, afirmou.

Veja:

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A paciente Raquel de Andrade morreu após ficar amarrada por horas e passar mal no Hospital São Vicente de Paulo

Material cedido ao Metrópoles2 de 3

A família de Raquel busca respostas

Material cedido ao Metrópoles3 de 3

Segundo a família, o fato de Raquel ter ficado horas amarradas foi uma brutalidade

Material cedido ao Metrópoles

Natal

Desapegado da festa de Natal, Iago cuidava da moto na garagem de casa quando recebeu a ligação do hospital. “Quando cheguei, perguntei onde ela estava. Ela estava em uma sala dentro de um saco. O médico abriu. Reconheci ela. E aí a ficha caiu. Eu peguei no rosto dela. Estava bem quentinho ainda. Tinha um líquido na boca”, revelou.

Segundo Iago, o médico teria dito que Raquel teve uma convulsão, vomitou e broncoaspirou. A equipe de médicos teria prestado os primeiros socorros e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi chamado, mas a paciente não resistiu.

Por que não levaram ela para um hospital? Falaram no começo que ela estava com uma equipe médica, mas depois fiquei sabendo que estava sozinha e que tinha sido amarrada antes. Se a pessoa estava medicada, por que estava amarrada?”, questionou.

Iago ficou estarrecido ao saber da forma como a irmã foi amarrada. “Pelas fotos, quando a gente viu as marcas, teve certeza de que foi uma brutalidade”. Para o eletricista, se Raquel não foi monitorada de forma constante, houve negligência.

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Fiscalizações

O presidente da Comissão de Direitos Humanos (CDH) da Câmara Legislativa (CLDF), o deputado distrital Fábio Felix (PSol) tem realizado uma série de fiscalizações nos serviços de atendimento em saúde mental do DF.

“Casos como o da Clínica Liberte-se e as mortes no São Vicente de Paula revelam que essa lógica manicomial é um atraso, porque submete pessoas em extrema vulnerabilidade à negligência, violências e tratamentos ineficientes. É urgente o fortalecimento da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), a estruturação dos CAPs [Centros de Atenção Psicossocial] com mais servidores e condições adequadas para os servidores trabalharem, porque essa é a política pública eficaz para atendimento em saúde mental”, destacou o parlamentar.

O deputado distrital Gabriel Magno (PT) também fiscaliza os serviços de atendimento em saúde mental do DF. Para o parlamentar, o cerne da questão reside na inadequação da política de saúde mental do DF.

“O governo descumpre leis, como a que determina a abertura de leitos psiquiátricos nos hospitais e o fechamento do Hospital São Vicente de Paula, que opera de forma irregular, com características assemelhadas às de manicômios, com praticas de restrição de liberdade e procedimentos que são análogos à tortura. Soma-se a isso a falta de servidores, o funcionamento precário dos CAPS e a fragilidade da rede de atenção psicossocial que são fatores que contribuem para esse cenário crítico. As mortes, como a de Raquel, são um reflexo dessa desatenção, da ausência de financiamento e da precariedade da infraestrutura da rede”, comentou.

Outro lado

A Secretaria de Saúde informou que após o óbito da paciente, foi registrado boletim de ocorrência para apuração da causa da morte. No âmbito interno, a SES solicitou a investigação da conduta assistencial e a apuração de eventual responsabilidade pela Corregedoria da pasta. Tendo em vista a investigação não ter sido finalizada, até o momento, nenhum profissional foi afastado ou responsabilizado pelo caso.

Segundo a pasta, a partir dos episódios registrados, houve mudanças significativas no hospital. Foram realizadas trocas na gestão, revisão e implantação de novos protocolos, além de melhorias nos processos de trabalho, especialmente nos fluxos de admissão e alta dos pacientes.

A metodologia de visitas também foi alterada: agora, os familiares podem visitar diariamente a ala de enfermaria, o que permite supervisão direta do local de internação e maior interação com a equipe assistente, substituindo o modelo anterior, no qual as visitas ocorriam na área externa.

Para evitar que situações semelhantes se repitam, a unidade adotou novos fluxos, atualizou protocolos clínicos e ampliou os investimentos em formação das equipes, fortalecendo a capacidade de resposta às demandas clínicas dos usuários.

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