26 de junho de 2026

Sem apoio para anistia, oposição fecha 2025 com dosimetria incerta

Sem apoio para anistia, oposição fecha 2025 com dosimetria incerta
Sem apoio para anistia, oposição fecha 2025 com dosimetria incerta

A cesta de projetos aprovados pela oposição em 2025 não conta com o texto mais desejado pela bancada bolsonarista, a anistia ampla aos envolvidos no 8 de Janeiro. Sem a possibilidade de perdão ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e aliados presos, a vontade bolsonarista foi dosimetricamente satisfeita, restando à bancada do PL celebrar a aprovação da redução de penas, que ainda depende do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que já prometeu vetar, e uma articulação para derrubar o veto na volta do recesso parlamentar, em fevereiro de 2026.

A aprovação do chamado Projeto de Lei da Dosimetria aos envolvidos na trama golpista, principalmente com o 8 de Janeiro, foi uma derrota para o governo Lula. O Planalto não quer qualquer alívio para os adversários que não aceitaram o resultado da última eleição. Mas, nos bastidores, ficou clara a insatisfação da oposição com o texto.

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A dosimetria:

  • O texto aprovado pela Câmara altera as regras de progressão de regime, mecanismo que permite ao condenado com bom comportamento passar para os regimes semiaberto ou aberto;
  • O texto diz que a progressão ocorre após o cumprimento de um sexto da pena, e não mais de um quarto;
  • O Senado alterou a proposta, limitando a redução de penas somente aos envolvidos nos atos golpistas;
  • O texto está na mesa do presidente Lula para sanção ou veto.

A bancada aliada ao ex-presidente Jair Bolsonaro defendeu, durante todo o ano, uma proposta que livrasse o ex-presidente e aliados da cadeia. Tal ideia, porém, não reverberou entre o Centrão, fiel da balança nas disputas ideológicas entre direita e esquerda no Congresso. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), então, decidiu dar a relatoria do texto para Paulinho da Força (Solidariedade-SP).

Expoente do Centrão, o deputado fez um texto que desagradou lulistas e bolsonaristas, recheado com erros que poderiam beneficiar criminosos comuns. A direita, vendo que teria uma redução de penas ou nada, aceitou a dosimetria. Os erros foram ajustados no Senado. Filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e pré-candidato à Presidência, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deu o tom da insatisfação.

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Segundo Flávio, o pai afirmou que é preciso continuar lutando pelo perdão amplo. “Deixa, aguento mais aqui. Lá na frente, vemos como faz, pega isso aí [dosimetria] agora e vamos continuar lutando pela anistia”, disse o ex-presidente, segundo o senador.

Veto de Lula e STF

Aprovado na Câmara no dia 10/12 e no Senado no dia 17/12, o projeto foi à sanção do presidente Lula. O petista, porém, anunciou publicamente que vetaria integralmente o texto, mas não disse quando. O mandatário tem 15 dias úteis para analisar a proposta.

Como o Congresso entrou em recesso no dia 19/12 e só retoma as atividades em fevereiro, não há previsão de quando o Legislativo analisará o veto de Lula. Dessa forma, a dosimetria segue sem futuro certo.

Mesmo que o veto seja derrubado, há risco de judicialização. Dessa forma, há chances de o mesmo Supremo Tribunal Federal (STF) que condenou os envolvidos na tentativa de golpe analise o projeto que desfaz as penas estabelecidas pela própria Corte.