Um artigo de opinião publicado pelo jornal New York Times afirma que a franquia “Harry Potter” perdeu relevância cultural entre as novas gerações. O texto também sugere que o apego persistente de parte dos fãs adultos, especialmente os millennials (1980-1995), revela uma dificuldade em se desvincular de uma visão de mundo que já não dialoga com o presente.
No artigo, Louise Perry argumenta que “Harry Potter” se tornou um fenômeno profundamente associado à geração que cresceu nos anos 1990 e 2000, quando os livros e filmes eram lançados como grandes eventos globais. Segundo ela, diferentemente de franquias como “O Senhor dos Anéis” ou “As Crônicas de Nárnia”, a saga criada por J.K. Rowling estaria presa a um contexto histórico e político específico — o do liberalismo pós-Guerra Fria — que não ressoa mais com a geração Z.
Veja as fotosAbrir em tela cheia “Harry Potter” virou tema de artigo polêmico no New York TimesCrédito: Reprodução “Harry Potter e o Cálice de Fogo”Crédito: IMDB “Harry Potter” virou tema de artigo polêmico no New York TimesCrédito: Reprodução Warner Bros “Harry Potter” virou tema de artigo polêmico no New York TimesCrédito: Reprodução “Harry Potter” virou tema de artigo polêmico no New York TimesCrédito: Divulgação
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O texto destaca que muitos millennials não apenas consumiram a obra, mas passaram a usá-la como referência moral, cultural e política, comparando adversários ideológicos a vilões da saga e levando slogans inspirados nos livros para protestos e manifestações. Esse vínculo, segundo o artigo, ajuda a explicar por que as declarações controversas de J.K. Rowling sobre direitos da população transexual e travesti foram sentidas por parte dos fãs como uma “traição”.
Embora o universo de “Harry Potter” siga comercialmente ativo, com vendas constantes de livros, o sucesso do jogo “Hogwarts Legacy” e uma nova adaptação televisiva em desenvolvimento pela HBO, o New York Times aponta que o público tem envelhecido. Dados citados no texto indicam que, já em 2016, apenas 18% do público que foi aos cinemas assistir ao primeiro filme de “Animais Fantásticos” era composto por crianças.
Para a autora, o afastamento dos jovens não se explica apenas pelo cansaço da franquia, mas por uma mudança mais profunda de mentalidade. A saga, segundo ela, reflete valores liberais típicos dos anos 1990, como fé nas instituições, rejeição à violência política, tolerância e a crença de que pessoas comuns podem derrotar o mal dentro do sistema existente. Esses ideais, argumenta, perderam força entre jovens que cresceram após a crise financeira de 2008, em um cenário de estagnação econômica, polarização política e descrença na democracia liberal.
O artigo também observa que a geração Z tende a ser mais cética em relação a soluções institucionais e mais aberta a posições radicais, tanto à direita quanto à esquerda, o que tornaria a moral “otimista” de “Harry Potter” menos atraente. A autora conclui que a saga funcionou como uma espécie de “espelho de desejos” para os millennials, refletindo uma visão de mundo que eles gostariam que fosse real, mas que hoje parece ingênua diante das transformações sociais e políticas recentes.
Segundo o texto, o distanciamento dos jovens não é necessariamente um ataque à obra, mas um sintoma de uma mudança geracional mais ampla: o enfraquecimento da crença de que o liberalismo, por si só, é capaz de triunfar sobre os conflitos do mundo contemporâneo.






