A Associação dos Membros do Ministério Público do Estado do Acre (AMPAC) divulgou uma nota pública de repúdio à live realizada pelo juiz aposentado Edinaldo Muniz, transmitida momentos antes da deflagração de uma grande operação policial voltada ao combate ao crime organizado no estado.
Segundo a entidade, ações dessa natureza exigem planejamento rigoroso, atuação integrada e absoluto sigilo, uma vez que envolvem dezenas de agentes públicos expostos a riscos elevados diante da atuação de organizações criminosas estruturadas e violentas. A AMPAC destaca que o sucesso dessas operações depende diretamente da preservação das informações estratégicas até o início da execução.
Na avaliação da associação, a transmissão ao vivo realizada antes da operação colocou em risco todo o trabalho desenvolvido pelas forças de segurança, criando a possibilidade concreta de frustração de medidas judiciais, ocultação de provas, evasão de investigados e exposição indevida dos agentes envolvidos, o que poderia resultar em reações criminosas.
“A conduta compromete o interesse público e afronta o dever mínimo de cautela que se espera diante de ações dessa gravidade”, afirma a nota. Para a AMPAC, o único beneficiado por comportamentos desse tipo é o próprio crime organizado, que se aproveita de qualquer alerta prévio para proteger seus integrantes e atividades ilícitas.
A entidade ressalta ainda que a situação se torna mais grave pelo fato de a conduta partir de um juiz aposentado, que exerceu a magistratura por décadas e, portanto, possui pleno conhecimento dos riscos e da necessidade de sigilo que envolvem operações de enfrentamento ao crime organizado.
“Espera-se de quem ocupou função de tamanha relevância institucional um comportamento compatível com a responsabilidade pública inerente ao cargo, ainda que após a aposentadoria”, enfatiza o texto.
Ao final, a AMPAC reafirma seu apoio irrestrito às instituições e profissionais que atuam no combate às organizações criminosas e destaca que o êxito dessas ações exige responsabilidade, prudência e compromisso com o interesse público, em respeito à sociedade acreana, principal destinatária das ações de persecução penal.







